Os perigos da instabilidade política e o surgimento de um herói patriota

Enviada em 04/05/2022

Em sua palestra no congresso internacional TEDx, o sociólogo australiano Dr. Peter Smith argumentou que uma sociedade madura e evoluída é um ambiente no qual existe estabilidade política, devido à maturidade de seus cidadãos. Neste contexto, cabe compreender os motivos que levam à bipolaridade e instabilidade política no Brasil. Por um lado, existe uma divisão na sociedade baseada em princípios e valores diferentes. Por outro lado, algumas pessoas buscam heróis e ídolos na política, ao invés de se preocuparem com as soluções propostas para os problemas sociais.

Com efeito, é comum as pessoas tomarem partido em discussões políticas defendendo determinados valores e princípios que elas acreditam que seu candidato representa. Isso ocorre, porque, conforme diz a psicóloga Dra. Margarete Tamares, no livro “Novos Ídolos”, as pessoas associam idéias e conceitos específicos à imagem de determinados políticos. Sob essa ótica, as pessoas votam naquilo que o político representa culturalmente e não na capacidade profissional em si. Desse modo, quando surgem políticos que defedem idéias diferentes, o público tende a se dividir e cada um defenderá aquele político com o qual melhor se identifica.

Ainda mais, é recorrente na sociedade pessoas que idolatram personalidades públicas e não seria diferente na política. Isso acontece, porque, de acordo com o psicanalista Dr. Antônio Lopes, no livro “Meu Alter Ego”, as pessoas criam ídolos porque precisam de uma referência, alguém em quem se espelhar. Neste íterim, quando se trata de política, o público votará naquele candidato com o qual ele tem uma relação de idolatria. Dessa forma, ídolos se tornam heróis.

Portanto, percebe-se que existe um caráter emocional no comportamento do público em relação aos candidatos a cargos no executivo. Neste caso, cabe ao governo federal, através de seu poder pelo Ministério da Educação, educar a população mais jovem, por meio de oficinas e simpósios nas escolas, mostrando a necessidade de se compreender a proposta de cada candidato, de tal maneira que o voto seja menos emocional e mais objetivo. Assim, teremos uma sociedade mais madura, conforme preconizou o sociólogo australiano.