Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 02/09/2020
No seriado ‘‘Peaky Blinders’’, o personagem principal, Thomas Shelby, realiza o comércio de medicamentos para a população do século XVIII, gerando uma enorme taxa de dependentes químicos e alta rentabilidade para a família Shelby. Não longe da ficção, o caráter capitalista da indústria farmacêutica produz grande risco à saúde pública, devido à facilidade de adquirir medicamentos e o incentivo à automedicação da população. Sendo assim, o debate sobre tal problemática é necessário para garantir a seguridade populacional.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar, de antemão, os perigos causados pela facilidade de compra de medicamentos no Brasil. Nesse sentido, o caráter capitalista da indústria farmacêutica exclui as preocupações com a saúde populacional, incentivando o maior consumo de remédios e causando dependências químicas na população. De acordo com o sociólogo Karl Marx, a desvalorização do ser humano ocorre com a valorização das coisas. Logo, o consumo exacerbado de remédios corrobora para a super rentabilidade de remédios, como visto pela família Shelby e, posteriormente, a saúde da população é desvalorizada e deixada em segundo plano.
Em segundo lugar, aliado com a problemática anterior, a automedicação está diretamente ligada com a facilidade da compra de remédios e o incentivo do marketing farmacêutico. Segundo o Estadão, 8,1 bilhões de reais foram investidos na produção de medicamentos em 2018. Isso demonstra o interesse dos laboratórios em incentivar o consumo por meio da automedicação, com gastos em propagandas visando a venda de sintomas. Sendo assim, de acordo com a teoria do Fato Social, fundamentada pelo filósofo Émile Durkheim, a sociedade tende a ser trivial, logo, a automedicação torna-se uma prática comum na sociedade, causando riscos advindos do interesse capitalista da indústria farmacêutica.
Portanto, em detrimento da constituição Federal de 1988, o Estado deverá cumprir com seu dever de promover a seguridade populacional. A priori, o Ministério Público e o PROCON (Programa de Proteção e Defesa ao Consumidor), deverão criar leis proibindo o marketing de incentivo ao consumo de medicamentos, tornando o vício do sujeito mais suscetível para a orientação médica. Ademais, ao Ministério da Saúde, cabe a implantação de restrições à venda de medicamentos, realizando o comércio apenas com receita médica ou indicação de algum especialista, com o intuito de minimizar a automedicação. Espera-se, com tais medidas, que os perigos da indústria farmacêutica restrinja-se apenas aos seriados.