Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 18/08/2020

Segundo o poeta alemão Bertolt Brecht, somente os homens seriam capazes de construir uma sociedade tão complexa, a considerar os avanços tecnológicos nos últimos séculos. Sendo assim, ao analisar o imediatismo das relações sociais no cotidiano, com a digitalização dos meios informacionais e mercantis, o acesso aos medicamentos ficou mais fácil, rápido e até mesmo ilegal, levando em conta o fato de que muitas pessoas compram fármacos por conta própria, sem nem mesmo consultar a opinião de um médico e, assim, automedicam-se sem restrições.

Primeiramente, as revoluções no sistema de produção modificaram o modo de vida da população. Com a descoberta da eletricidade, o relógio biológico foi alterado, e, com isso, o organismo passou a sentir a modificação brusca da fisiologia. Mais horas acordados e menos horas dormindo: essa é a realidade de grande parte das pessoas. O tempo virou sinônimo de dinheiro, e a qualidade da vida piorou. Nesse contexto, a disponibilidade para consultar um médico e investigar o motivo de uma dor de cabeça ou aliviar os sintomas de um resfriado é escassa. Dessa forma, muitos brasileiros optam pelo uso indiscriminado de medicamentos, seja para um mal-estar, seja para aumentar o rendimento profissional, e a principal justificativa é a falta de tempo.

Paralelamente a isso, a evolução tecnológica permitiu que o comércio de diversas áreas oferte seus produtos em lojas virtuais e, com isso, as vendas aumentaram. Em consonância com essa situação, guiados pela rotina exaustiva, muitos brasileiros tendem a comprar seus próprios remédios pela internet e recebem na porta de casa ou do trabalho. De acordo com uma pesquisa feita polo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, aproximadamente 80% dos entrevistados no país afirmam terem se automedicado - um absurdo, considerando os efeitos colaterais que os medicamentos podem apresentar.

Em síntese, a cultura de consumir um fármaco como se fosse uma mercadoria qualquer deve ser desconstruída para o bem da sociedade. Portanto, é imprescindível que o governo, por meio de uma proposta de lei enviada ao congresso, restrinja o acesso da população aos medicamentos, a fim de garantir que as pessoas somente se mediquem após a opinião de um médico especialista, diminuindo, assim, a possibilidade de ocorrerem reações indesejadas dos fármacos nos pacientes. A família, com apoio da escola, pode criar um projeto de conscientização da comunidade, oferecendo palestras com profissionais da saúde alertando sobre os riscos. Com essas ações, iremos reduzir os perigos da indústria farmacêutica e consolidar a complexidade da nossa sociedade sem a necessidade da automedicação, corroborando a tese de Brecht.