Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 07/08/2020

O poema “No meio do caminho”, do escritor modernista Carlos Drummond de Andrade, revela, de forma metafórica a existência de obstáculos no percurso da vida humana. De maneira análoga, os perigos da indústria farmacêutica tornaram-se pedras no meio do caminho da sociedade moderna, haja vista que eles impedem a efetivação do pleno bem-estar social. Nesse sentido, é imperioso analisar como a hipocondria e a automedicação contribuem para a existência desse grave problema na agremiação brasileira.

Em primeiro plano, é indubitável que a hipocondria esteja entre as causas do transtorno, tendo em vista que, hodiernamente, as pessoas vivem com medo das variadas doenças que existem. Dessa forma, as indústrias farmacêuticas aproveitam-se da situação e criam novas doenças e medicamentos para que os indivíduos que acreditam estarem saudáveis usem frequentemente para evitar algumas enfermidades. Porém, ao fazer o uso inconsciente, eles não percebem os malefícios causados à saúde. Nesse panorama, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os gastos com investimentos em saúde, como na produção de fármacos aumentaram nos últimos anos.

Em segundo plano, destaca-se a automedicação como impulsionadora dos perigos da indústria farmacêutica. Isso porque grande parte da população quando encontra-se doente utiliza o Google para fazer o diagnóstico de acordo com seus sintomas. Desse modo, é apresentada uma variedade de doenças e seus respectivos medicamentos para tratamento. Diante disso o indivíduo não busca ajuda médica e compra o remédio que acredita ser necessário, visto que alguns deles ainda são vendidos sem prescrição médica. Infelizmente, a decisão de se automedicar acarreta em sérios problemas de saúde. Nesse contexto, conforme uma pesquisa feita pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), realizada em 2016, 72% dos brasileiros tomam remédio por conta própria.

Logo, é notório que a hipocondria e a automedicação são apenas dois dos fatores que acarretaram os perigos da indústria farmacêutica. Portanto, é imprescindível que o Ministério da Saúde, crie um programa de debates e fiscalização para o contingente populacional, com a participação de mestres e doutores da área, por meio de palestras que visem informar sobre os riscos causados à saúde com a automedicação e a proibição da venda de alguns medicamentos sem prescrição médica, além da fiscalização e aplicação de multas para as empresas farmacêuticas que incentivarem o uso de fármacos sem necessidade, a fim de visar o bem-estar da população e, assim, erradicar todas pedras do meio do caminho como no poema “No meio do caminho” de Drummond.