Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 02/07/2020

Em 1988, foi promulgada a Constituição Federal do Brasil, que definiu o Estado como principal ferramenta de garantia da saúde na nação. Entretanto, no país, em pleno contexto hodierno, tal mecanismo tem se mostrado ineficiente, visto que a indústria farmacêutica oferece inúmeros perigos para a população nacional. Diante disso, é necessário estabelecer que às precariedades no sistema de saúde e a postura mercantil desse setor no âmbito midiático fazem com os riscos se potencializem e a Constituição seja “amassada”.

A priori, é válido destacar que a escassez de investimentos na saúde pública é um dos principais “antígenos” que tornam o ramo farmacêutico em uma mazela. Na série “Sob pressão”, da Rede Globo, é ilustrado o panorama de deterioração dos hospitais e postos no território nacional, em que a descrença e a desconfiança nesses ambientes atinge o ápice. Nesse sentido, urge a figura das farmácias, as quais apresentam remédios para todas às moléstias dos indivíduos. Contudo, o acesso desenfreado aos medicamentos pode ocasionar incontáveis consequências. Entre essas consequências, estão: dificuldades nos diagnósticos de doenças e dependência química.

No entanto, existe outro “coeficiente” que transforma a indústria farmacêutica em vilã. Os comerciais de medicamentos propagados nas emissoras de TV e internet são uma das drogas responsáveis por eclodir uma overdose de automedicação na sociedade brasileira. Os sociólogos da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno e Max Horkheimer, criaram o conceito de “Indústria Cultural”, que consiste no fato dos meios de comunicação de massa disseminarem publicidades que estimulam o consumo e, consequentemente, uma grande margem de lucro para as empresas. Logo, os fármacos são vendidos em larga escala e geram, por conseguinte, uma culturalização da ingestão constante de remédios sem prescrição médica.

Em suma, medidas precisam ser tomadas para atenuar tais impasses. O Ministério da Saúde deve, por intermédio da figura presidencial, criar projetos que garantam maiores contingentes de verbas para às Secretarias de Saúde de todos os estados, a fim de que os espaços hospitalares sejam visto com “bons olhos” para o tratamento das enfermidades dos cidadãos e o símbolo das drogarias sirvam como um auxílio para o bem comum. Cabe também ao Ministério da Justiça, por meio de decretos de lei, implementar multas de alto valor para os veículos de comunicação que espalham anúncios exagerados de drogas lícitas. Dessa forma, a Constituição será respeitada e a indústria farmacêutica será uma aliada para o desenvolvimento.