Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 11/07/2020
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), 35% dos medicamentos são adquiridos nas farmácias por pessoas que estão se automedicando. Diante disso, é clara a força que possui a indústria farmacêutica no século XXI. Esta força, está diretamente ligada ao espaço ganho pela indústria com propagandas em diversos veículos e a quantidade de pessoas que compram remédios deliberadamente para se automedicar.
Em primeira análise, as propagandas expõem uma imagem dos remédios que coloca na cabeça das pessoas, uma visão de que o uso pode ser feito de qualquer maneira e com fácil acesso. Diante disso, no início do século XX, já era visto em revistas, propagandas de aspirinas da empresa Bayer, que por muito tempo foram dominantes e grandes influenciadoras nessa área. Desse modo, com a entrada das propagandas televisivas no final do século XX, o poderio das indústrias farmacêuticas atingiu seu ápice pois alcançou um número sem precedentes de pessoas. Nessa perspectiva, fica claro que, por ter atingido uma grande parte da população, criou-se uma cultura de que não é preciso ter indicação médica para fazer uso de tal remédio, pois, os comerciais mostraram uma gama de medicamentos e seus usos, antecipando até mesmo o que seria trabalho dos médicos.
Em segunda análise, a maior consequência negativa que a crescente da indústria farmacêutica trouxe consigo foi o aumento do índice de automedicação. Sob essa ótica, o Instituto de Pesquisa e Pós-graduação para Farmacêuticos (ICTQ), realizou uma pesquisa que revelou que 76,4% da população brasileira faz uso de medicamentos a partir da visibilidade midiática feita irresponsavelmente e pela indicação de pessoas próximas. Diante disso, é evidente que existe uma falta de organização educacional alimentada por anos de má informações que impuseram a ideia de que, se um indivíduo está com enjoo, é melhor se medicar com Dramin e se houver uma piora, deve-se procurar ajuda médica. Dessa maneira, adiar o que deveria ser feito antes de se automedicar, pode acarretar um fim prematuro da vida de um indivíduo graças a desinformação.
Destarte, para que os efeitos negativos causados pelas propagandas feitas de forma indevida juntamente com os problemas de automedicação, é preciso que o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, o Ministério da Educação e a ANVISA atuem juntos. Com isso, promovam comerciais que conscientizem as pessoas dos riscos de comprar remédios sem prescrição médica e se automedicarem, além de promover palestras em centros educacionais. Para que, os males causados pelo crescente aumento de poder da indústria farmacêutica tenha controle a pare de afetar negativamente a vida dos cidadãos.