Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 18/07/2020
O livro “Dialética do Esclarecimento”, escrito pelos sociólogos Adorno e Horkheimer, propõe que a indústria capitalista produz bens padronizados, usados para manipular a passiva sociedade de massa. Analogamente à realidade, a problemática se perpetua por meio da implacável ambição da indústria farmacêutica, que propicia o consumo não consciente de medicamentos.
De início, é válido salientar que, o mercado capitalista, através do marketing de influência, molda, subconscientemente, os pensamentos, comportamentos e atitudes da sociedade. Isso posto, apesar de contribuir para o bem-estar físico e psicológico da população, a indústria dos fármacos, por transparecer ideais de saúde distorcidos, cultiva falsas necessidades e propicia o vício e a dependência aos medicamentos. De acordo com Marta Medeiros, pesquisadora da UNICAMP, além de sintomas decorrentes do uso não consciente dos fármacos, o mercado das vendas cria doenças inexistentes para comercializar a cura. Tal informação evidencia que, por muitas vezes, o desejo pelo lucro sobressai a moralidade, de forma a alienar a sociedade.
Ademais, segundo pesquisa do jornal G1, 90% dos brasileiros pratica a automedicação. Dessa forma, a negligência e o descaso da população, atrelados a falta de conhecimento acerca dos efeitos que os medicamentos exercem sobre o organismo, também ameaça o bem-estar social. Outrossim, o acesso a remédios ditos “tarja preta” e antibióticos estão assegurados a apresentação de receita médica, todavia, tendo em vista as brechas fiscalizatórias, grande parte das farmácias de pequeno porte e de cidades interioranas, visando o lucro irrestrito, praticam a comercialização sem supervisão.
Destarte, a fim de atenuar os perigos da indústria farmacêutica, o Governo intensificará as ações fiscalizatórias nas farmácias brasileiras. Além disso, o Ministério da Saúde, em parceria com as redes sociais e meios televisivos, desenvolverá uma campanha de conscientização acerca dos perigos causados pela automedicação. A iniciativa ainda contará com o apoio das instituições de ensino para propagar a campanha entre os jovens. Dessa forma, a alienação causada pelo mercado dos fármacos será típica apenas de uma obra literária e, felizmente, estará distante da realidade brasileira.