Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 26/06/2020

No filme brasileiro “Linda de Morrer”, a protagonista Paula, interpretada por Glória Pires, infarta após consumir um remédio para alcançar a perda de peso, sem prescrição médica e sem saber seus efeitos colateiras. Fora da ficção, essa continua sendo uma realidade de muitos jovens e mulheres  do país, os quais, consumindo medicamentos sem prudência, fomentam a propagação de um padrão de beleza e acometem a si mesmos, podendo gerar perdas neurais e diversos transtornos interpessoais.

Em primeira análise, faz-se necessário ter em vista que, diariamente, a venda de procedimentos estéticos pela indústria farmacêutica prejudica, além da saúde, a autoestima de diversas moças, as quais, a qualquer custo, querem fazer parte do conceito de beleza, que acaba sendo mais perpetuado.  Um exemplo do fato pode ser visto no comercial do medicamento Cicatrucure, com a promessa de combate às estrias, tratando-as como algo ruim. Nessa temática, sob a ótica sociológica de Émile Durkheim, a “Consciência Coletiva” é exterior, geral e coercitiva sobre os indivíduos, ou seja, aquilo que é, geralmente, pregado como “ideal” será imposto e crescerá ainda mais. Sendo assim, pode-se identificar uma perpetuação do “molde de perfeição” por parte de determinados “remédios milagrosos”.

Em segunda análise, outro fator prejudicial do âmbito farmacológico são as lesões neurais e déficits psicológicos gerados, essencialmente, pelo hiato entre o consumo, o conhecimento de efeitos colaterais e a prescrição dessas drogas. No filme “Meu Primeiro Amor”, a personagem principal, com diagnósticos precipitados e incorretos, sempre pensa que está com alguma doença e logo identifica qual antídoto deverá fazer uso. Segundo o doutor Drauzio Varella, bem como a jovem, diversos outros acabam, facilmente, comprando antídotos sem recomendação, já que, de acordo com eles, muitos deles são vendidos sem haver a necessidade da autorização médica. Ele acrescenta que a ingestão incorreta gera a hipocondria e perda neurológica, acarretando a morte, como a da personagem Paula.

Portando, tendo em vista os argumentos supracitados, urge que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, conscientize alunos das instituições educacionais de ensino público, através de palestras, sobre a utilização inapropriada de remédios e suas consequências. Concomitantemente, com o apoio de psicólogos, propor o alcance do autoconhecimento e da autovalorização, objetivando que os jovens diminuam a busca por procedimentos estéticos. Somente assim poderá haver uma uma sociedade sem os prejuízos causados pela industria farmacêutica.