Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 26/06/2020
No Brasil, a população de idosos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa mais de 10% da população. Esse número se mostra em elevado crescimento nas últimas décadas, o que favorece o desenvolvimento da indústria farmacêutica, tendo em visa que os idosos constituem o maior grupo consumidor de medicamentos. Junto a esse desenvolvimento, a indústria de fármacos traz consigo perigos relacionados, principalmente, ao uso indiscriminado gerado por um pensamento hipocondríaco.
Inicialmente, ressalta-se o uso indiscriminado de fármacos como problemática que reflete os perigos da indústria farmacêutica. Isso porque, embora o uso consciente devesse ser estimulado em todas as plataformas de relacionamento, o que ocorre, de fato, é a venda de sintomas e doenças para construção de demandas pela mídia. Nesse sentido, o filósofo Mario Sergio Cortella desenvolve a ideia de “Mídia como corpo docente”, ou seja, ressalva que os meios de comunicação têm papel crucial na modelagem de pensamentos e comportamentos. Essa modelagem se dá por meio do bombardeamento de informações, intrínsecas em propagandas e marketings, que estimulam o interlocutor a comprar medicamentos por conta própria e se automedicar, desconsiderando as consequências desse ato. Tais consequência englobam, de acordo com o Ministério da Saúde, reações alérgicas, intoxicação e dependência química.
Além da automedicação, vale destacar, ainda, os perigos quanto à promoção de um pensamento hipocondríaco, ou seja, compulsivamente focalizado no próprio estado de saúde. Essa compulsividade é favorecida pelo amplo e facilitado acesso aos medicamentos, em decorrência das novas tecnologias de compra e fragilidade de políticas de fiscalização. Assim, a medicalização de situações normais do cotidiano é ponderada pelo pesquisador Ivan Illinch, o qual a considera como empecilho para autonomia e autocuidado. Tal medicalização, associada à regulação dos preços dos fármacos pelos genéricos, mostra-se como evidência da falta de instrução da população relativa aos seus perigos
Nota-se, portanto, a importância de uma reavaliação da indústria farmacêutica, seus objetivos e efeitos. Sendo assim, o Ministério da Educação, juntamente ao Ministério da Saúde, deve promover, nas instituições de ensino, aulas socioeducativas de conscientização do uso de medicamentos. Essas aulas devem se dá por meio da associação entre matérias como biologia, tratando dos efeitos biológicos dos fármacos, química, visando à compreensão da composição deles, e linguagens, para ampliação do entendimento de bulas e rótulos. Para tal, cabe um maior redirecionamento do PIB para a educação, objetivando à formação de indivíduos críticos quanto ao uso adequado dos remédios.