Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 17/10/2019
Sheldon Cooper, personagem da série americana “The Big Bang Theory”, é hipocondríaco, ou seja, exagera no cuidado em relação à sua saúde, uma vez que potencializa seus sintomas e ingere inúmeros remédios a fim de garantir sua melhora, o que trouxe prejuízo à sua vida social. Fora das telonas, a realidade não é muito diferente, nota-se o crescimento da automedicação e a instalação de um cotidiano de medo perante as enfermidades. Isso não se evidencia apenas pela ineficiência da gestão da saúde, como também pelo grande interesse da indústria farmacêutica em lucrar.
Em uma primeira análise, o Estado não consegue garantir o acesso de todas as pessoas às redes hospitalares, o que justificaria o uso da automedicação para dores corriqueiras. Nesse cenário, as empresas farmacêuticas surgem como grandes interesseiras no assunto, visto que devido à falta de estrutura nas clínicas, muitos pacientes optam por comprar medicamentos que prometam amenizar sua dor, mesmo sem receita médica. Contudo, tal prática reflete o perigo dessa indústria, haja vista a ignorância do paciente sobre os efeitos dos remédios. Segundo dados da OMS - Organização Mundial da Saúde- cerca de 50% da população ingere medicamentos vendidos de forma inadequada, o que realça os danos da prática para promover o bem estar e a solução dos sintomas à longo prazo.
Ademais, vale ainda ressaltar que a indústria capitalista funciona através da dinamização do dinheiro e a busca por produtos rentáveis. Nesse panorama, as farmácias se aproveitam da vulnerabilidade humana perante a dor e oferecem remédios que prometem a anestesia, mesmo que temporária do sofrimento. Sendo assim, propagandas televisivas tornaram-se comuns para divulgar os benefícios dos medicamentos, sem se preocupar, verdadeiramente, com a saúde das pessoas. Simon Schwartzman, nesse sentido, conceituo que há na sociedade atual a busca por satisfações pessoais,em detrimento do resultado coletivo de suas ações. Dessa forma, observa-se mais um risco das farmacêuticas ao país.
Torna-se evidente, portanto, que a indústria farmacêutica visa, preferencialmente, seu lucro. Para reverter esse quadro, é preciso que o Ministério da Saúde, em parceria com as grandes emissoras televisivas, faça a elaboração de um protocolo sobre a quantidade permitida de comerciais sobre medicamentos em circulação durante os programas, através da maximização da objetividade do conteúdo exposto, sendo evitado curas milagrosas. Além de advertir o consumidor sobre os riscos da automedicação após essas propagandas, aconselhando-se a visita ao médico. Além disso, precisa-se reformular as clínicas hospitalares para que elas possam atender de maneira adequada os pacientes. Espera-se que, assim, as pessoas reduzam a automedicação e se informem sobre os perigos da prática, a fim de se diminuir a presença de personagens como Sheldon Cooper no cotidiano.