Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 12/10/2019
É indubitável que os fármacos são indispensáveis para a manutenção da saúde. O descobrimento da penicilina, por exemplo, foi essencial para evitar milhares de mortes dos feridos na Segunda Guerra Mundial. Hodiernamente, no entanto, seja pelo uso sem orientação dessas substâncias, seja pela falta de ética das empresas, a indústria farmacêutica tem apresentado resultados contraproducentes. É necessário, então, garantir meios para cessar esse problema.
Primeiramente, cabe destacar um dos principais agravantes que envolvem a indústria de medicamentos: a automedicação. Desde o período colonial, os povos indígenas tinham o hábito de fazer o uso de plantas medicinais ou recorrer aos curandeiros para curar suas enfermidades, práticas que foram repassadas pelas gerações e criaram a cultura de se medicar sem orientação profissional. Esse fato, atrelado à precariedade do sistema de saúde e à publicidade das empresas de remédios que, frequentemente, prometem alívio rápido dos sintomas, explica o porquê, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas, 20 mil pessoas morrem por ano em decorrência da automedicação.
Outrossim, a falta de ética das empresas também gera problemas. A indústria de remédios, assim como todo o sistema capitalista, busca por mercado e lucro. Nessas circunstâncias, as empresas se aproveitam dos limites do ser humano que, muitas vezes, são tratados como sinônimo de fracasso e criam um mercado de consumidores de medicamentos para problemas inventados pela própria indústria. Com efeito, o problema do consumo de substâncias para “aumento da produtividade e desempenho” tem sido agravado, como alerta o documentário “Take your pills” da Netflix. Tudo isso mostra que a indústria farmacêutica prioriza o lucro em detrimento da saúde do indivíduo, direito garantido pela Constituição de 1988.
Assim, é possível perceber que esse cenário precisa de modificações. Antes de tudo, com o objetivo de formar uma sociedade mais responsável sobre um tema tão importante, o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia e as escolas, deve atentar sobre os perigos do hábito da automedicação, e isso pode ser feito por meio de campanhas e debates em talk shows na televisão e palestras nas escolas. Ademais, o governo deve criar um projeto de lei para proibir a publicidade de medicamentos. Essas ações, em conjunto, poderão conscientizar a sociedade sobre o uso indevido de remédios e diminuir os problemas causados pela indústria farmacêutica.