Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 24/09/2019
No início do século XX, ocorreu no Rio de Janeiro um motim popular cujo qual ficou conhecido como: Revolta da Vacina. Esse fato se sucedeu após uma série de medidas sanitaristas as quais foram impostas pelo governo. Mesmo que, em suma, essas medidas fossem para melhorar o saneamento básico da população, foram aplicadas de forma autoritária e violenta provocando revolta nas pessoas. Atualmente, os avanços tecnológicos garantiram grandes melhorias nas lutas contra epidemias e doenças em geral. Contúdo, é nítido que indústrias farmaceuticas utilizam desse desenvolvimento para vender remédios de forma demasiada a fim de obter lucros à partir da comunicação direta com o consumidor. A precariedade dos hospitais também corroboram com a automedicação.
No Brasil, a cada 10 brasileiros, apenas 2 não tomam remédio por conta própria. Esse fato é incentivado pelas grandes farmácias que, fazem propagandas promovendo alívio rápido cujo qual é visto como mais acessível pelo indivíduo que não quer enfrentar filas de hospitais. Para o filósofo Émile Durkheim, a sociedade baseia-se em fatos sociais, que consistem em influências ao modo de agir e pensar exteriores ao indivíduo. Percebe-se então, que a automedicação é um fato social indutivo, sendo reforçado pela falta de informação e pelo monopólio de grandes indústrias farmaceuticas que visam somente o lucro, no qual o ser humano é visto somente como consumidor de seus produtos.
O Sistema Único de Saúde (SUS) é utilizado por boa parte da população. Sendo gratuito, ele necessita de uma boa infraestrutura para atender sua demanda. Entretanto, com a falta de investimentos, a precariedade afasta as pessoas, já que aquelas que não possuem tempo para esperar nas grandes filas dos hospitais, acabam optando por soluções mais rápidas, recorrendo à farmácia mais perto de sua casa, cujo qual não possui atendimento específico e nem um profissional adequado para examinar e verificar a ocorrência de algum problema mais sério.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que o Ministério da Saúde juntamente com os Governos Estaduais invista em pequenos postos de saúde e construa outros em lugares mais superlotados, para que as filas locais diminuam e a população tenha acesso mais rápido quando necessite de atendimento, a fim de não tomar remédios por intuição própria. A mídia televisiva, cujo qual, é a principal fonte de propagandas de medicamentos, deve reduzir essas publicidades além de alertar sobre a série de outros problemas que podem ser causados devido a automedicação quando não supervisionado por um profissional qualificado, a fim de os consumidores desses fármacos não comprem exageradamente com a desinformação.