Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 22/09/2019
O documentário “What the Health”, produzido pela plataforma Netflix, ao abordar a vida de Kip Anderson, um homem de 46 anos totalmente dependente da indústria farmacêutica, retrata não só os impactos da má utilização de fármacos, mas ainda promove uma reflexão acerca de suas consequências. Nesse sentido, evidencia-se a problemática da automedicação em contexto mundial, desordem que relacionada tanto à falta de orientação profissional, quanto ao decadente sistema de saúde pública do país, provoca inúmeros danos à sociedade. Com efeito, torna-se fundamental debater os impactos e efeitos desse quadro, bem como maneiras de o interromper.
Em primeira análise, é evidente que a influência da mídia fomenta a necessidade do consumo ao aliar a noção de prazer à comodidade que o uso dessas substâncias pode oferecer. Nesse viés, ínfimas são as propagandas e recursos de marketing que abordam a importância de prescrição médica, o que configura não apenas como fator de disseminação dessa patologia moderna, mas também põe em risco a saúde e integridade dos cidadãos. Prova disso são os dados divulgados por levantamento realizado pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-farmacológicas, segundo os quais, cerca de 78% das notificações de intoxicação recebidas são causadas por medicamentos.
Outrossim, vale salientar que o limitado acesso do brasileiro a tratamento adequado, como também a facilidade de aquisição de medicamentos e consumo dos mesmos agravam ainda mais esse quadro. Visto que, por mais que o artigo 196 da Constituição Federal de 1988 garanta o acesso gratuito e de qualidade à saúde, na prática, assegurar esse direito parece um desafio, de forma que a busca por informações infundadas e, muitas vezes, superficiais, em aplicativos e sites de busca como o Google, torna-se comum. O que se realizado sem orientação profissional intensifica os riscos de intoxicação e toda sorte de complicações.
Diante dos aspectos mencionados, é mister que o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (CONAR) exerça o controle sobre propagandas de fármacos pelos meios de comunicação, de modo a evitar problemas advindos do mau uso e compras indiscriminadas dos mesmos. Com isso, é dever do Ministério de Saúde, por meio de verbas governamentais, investir na saúde pública, medida que poderá ser realizada tanto na melhoria do salário de profissionais, quanto na infraestrutura de postos de saúde e hospitais, a fim de melhor atender e sanar dúvidas dos cidadãos. Por fim, cabe ao Poder Legislativo, mediante a criação de leis, impor que propagandas e rótulos de medicamentos explicitem os efeitos adversos e sob quais circunstâncias seu uso pode ser administrado, além de apresentarem a im portância da prescrição médica e de receitas em drogarias e farmácias.