Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 18/09/2019

Segundo o médico brasileiro “Drauzio Varella”, “remédio não é sinônimo de medicamento”. Este corresponde a um produto industrial farmacêutico, e aquele, abrange todas as formas de curar ou atenuar um sintoma indesejável. Infelizmente, para muitos indivíduos, os medicamentos parecem ser a única forma de tratamento, usando-os indevidamente e ignorando seus efeitos colaterais nocivos.

De acordo com o filósofo alemão Karl Marx, “a cultura atende os interesses dos donos de meios de produção”. Na atual sociedade capitalista, em que o principal objetivo é o lucro, o hábito culturalmente estabelecido de consumir medicamentos excessivamente favorece a indústria farmacêutica. Esta, segundo estatísticas da Interfarma, movimenta 63,5 bilhões de reais por ano, o que a torna uma das mais lucrativas do Brasil.

Porém, os medicamentos não são totalmente benévolos como comumente se acredita. Trazem alívio sim, mas também podem causar efeitos indesejáveis, como dependência, sobrecarga hepática e até danos neurológicos a longo prazo. Os efeitos negativos são mais comuns quando consumidos por conta própria, o que acontece com 79% dos brasileiros com mais de 16 anos, segundo dados do ICTQ. A “cultura do medicamento” faz a população ignorar que existem outras formas de remédio, como atividades físicas, mudança de alimentação e tratamentos com chá e ervas.

Destarte, medidas para mudar essa realidade são urgentes. A Anvisa deve intensificar o monitoramento do comércio de medicamentos para impedir a venda quando o comprador não possui atestado médico. O Ministério da Saúde, utilizando da verba pública, deve fazer parcerias com os meios de comunicação, alertando a população contra o uso indevido de produtos farmacêuticos, bem como divulgando meios alternativos de combater enfermidades. Uma vez informada, a população tenderá a utilizar os medicamentos com mais sensatez, evitando danos a saúde.