Os perigos da alienação parental
Enviada em 23/12/2020
Segundo Aristóteles, a finalidade das ações humanas é uma constante busca pela felicidade, considerada o bem mais desejado pelo ser humano. Entretanto, diversas atitudes durante o cotidiano acarretam no processo inverso - a infelicidade - ao contrário do que foi descrito pelo filósofo grego. Com efeito, pode-se citar a alienação parental como uma dessas práticas, haja vista que a desmoralização de uma pessoa é feita por um membro da família, gerando consequências para a vida de crianças e adolescentes que tornam-se uma das vítimas desse “fogo cruzado” entre seus parentes, principalmente os pais divorciados. Assim, esse cenário resulta em perigos à formação do indivíduo e também à saúde mental, demonstrando a necessidade de um debate acerca do tema.
Diante dessa realidade, o filósofo John Locke diz que, ao nascer, as pessoas são como uma tábula rasa. Nesse contexto, a vida é como uma folha de papel: de início está em branco, todavia, com o passar do tempo, vai sendo preenchida com as experiências, aprendizados e valores. Por conseguinte, a família é a primeira socialização de uma pessoa, sendo a responsável por auxiliar durante o desenvolvimento e transmitir ensinamentos ao longo do crescimento. Logo, a criança acaba internalizando aquilo que observa, além do que é ensinada. A partir disso, caso ela se torne vítima de alienação parental, pode entender como algo normal e, no futuro, perpetuar a mesma situação.
Sob outra análise, na obra “Utropia”, Thomas Morus idealiza um mundo na qual não há conflitos nem problemas, a convivência é perfeita. Entretanto, ao traçar um paralelo com a realidade, sabe-se que há diversos entraves que precisam ser mitigados. Nesse viés, quando há disavenças entre os genitores, a manipulação emocional sobre o filho dá lugar a prejuízos psicológicos. Dessa forma, os jovens podem desenvolver ansiedade e até depressão, principalmente quando os responsáveis são incapazes de perceber a repercussão de suas atitudes na vida dos filhos. Ademais, esses últimos sentem-se sozinhos e sem saber o que fazer perante a essa conjuntura.
Portanto, a alienação parental, infelizmente muito presente em lares brasileiros, precisa ser minimizada para que os perigos atinjam cada vez menos inocentes. Destarte, cabe ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos promover atendimentos psicológicos gratuitos para recém divorsiados, podendo ocorrer nas escolas de todo país para que os responsáveis fiquem cientes do comportamento de seus filhos fora de casa, além de deixar a escola em alerta para ajudar o jovem. Outrossim, farão isso visando a criar uma relação saudável entre o antigo casal a fim de garantir um ambiente saudável para as crianças e reduzir consideravelmente a alienação. Dessa forma, mais pessoas terão a chance de alcançar a sonhada felicidade, deixando de ser um privilégio para muitos.