Os perigos da alienação parental
Enviada em 17/12/2020
Na década de 80, Richard Gardner — psiquiatra norte-americano — conceituou como Síndrome da Alienação Parental o distúrbio infantil provocado pela persuasão negativa de algum genitor exercida sobre a criança contra outro parente. Com efeito, esse problema descrito por Gardner representa grave mazela social, na medida em que afeta o desenvolvimento de substancial parcela da população infanto-juvenil. Dessa forma, como solução do entrave, há de se desconstruir o individualismo, a fim de mitigar os prejuízos psicológicos.
Sob uma primeira análise, o egoísmo dos pais prejudica o relacionamento saudável dos filhos. Nesse viés, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão — baseada nos ideais iluministas — entende que a família deve assegurar o bem-estar de meninos e de meninas: critério fundamental para a garantia de condições dignas de humanidade. Ocorre que, em muitos lares brasileiros, as famílias são incapazes de compreender o papel que exercem na promoção da dignidade humana desses pequenos indivíduos e são indiferentes. Esse fenômeno cruel vai de encontro à legislação internacional iluminista, haja vista a irresponsabilidade de se utilizar da criança como forma de punir o cônjuge ou parente. Dessa forma, é incoerente que os genitores, embora responsáveis pelo bem-estar dos filhos, sejam justamente aqueles que lhe prejudicam.
De outra parte, a manipulação emocional sobre a criança dá lugar a prejuízos psicológicos. A esse respeito, o médico Peter Sifneos nomeou como “Alexitimia” o conceito clínico conhecido popularmente como “cegueira emocional”, segundo o qual o relacionamento tóxico com os genitores pode provocar na criança a perda da capacidade de demonstrar afeto. Nesse sentido, muitas famílias são imprudentes com o comportamento antes os filhos e, assim, são responsáveis por ocasionar consequências irreparáveis como a síndrome definida por Sifneos. Desse modo, enquanto a dominação negativa sobre os jovens se mantiver, a sociedade terá de conviver com um dos piores obstáculos para o desenvolvimento: a perpetuação da alienação parental.
Impende, pois, que a síndrome abordada por Richard Gardner deixe de ser realidade no Brasil. Para isso, as escolas devem contribuir para combater o individualismo presente entre as famílias, por meio de um projeto pedagógico composto por palestras e oficinas que chamem os pais à ação. Essa iniciativa se chamaria “Lar saudável de verdade” e teria a finalidade de orientar os responsáveis a garantir a saúde afetiva das crianças e, com sorte, construir uma sociedade justa, solidária e livre da alienação.