Os perigos da alienação parental
Enviada em 16/12/2020
Brás cubas, defunto autor de Machado de Assis, deixou claro em suas “Memórias póstumas” sua aversão a ter filhos, pois não queria transmitir a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. Talvez hoje ele percebe-se acertada sua decisão, visto que inúmeros ambientes domiciliares hostis as crianças são provocados pela lamentável alienação parental e perduram danos psicológicos. Assim, para amenizar esse quadro, deve-se analisar o controle verbal e as suas consequências.
Precipuamente, é imperioso destacar que a persuasão negativa de algum genitor sobre a criançã contra o outro é uma violência psicológica. Nesse sentido, segundo o filósofo Francês Michel foucault, o poder articula-se em uma linguagem que cria mecanismos de controle e coerção e influência inconscientemente. Ocorre que, os pais em situações de conflitos matrimoniais utilizam-se cruelmente do poder verbal para manipular o sentimento dos filhos e subvertem a importante função parental de garantir a saúde mental das crianças. Desse modo, meninos e meninas são agredidos emocionalmente pelas pessoas que deveriam protege-los.
Ademais, a manipulação psicológica nos jovens estimula possíveis danos exponenciais. Sob essa ótica, o médico Peter Sifneos nomeou como “Alexitimia” o conceito clínico conhecido como “cegueira emocional”, segundo o qual a toxicidade parental pode provocar nas crianças a perda da capacidade de demonstrar afeto. Com efeito, muitas famílias são inconsequentes no tratamento com o público infantojuvenil e tornam-se responsáveis por ocasionar a síndrome definida por Sifneos. Ora, enquanto se mantiver essa dominação prejudicial, os jovens tenderão a ter seu desenvolvimento corrompido pela alienação dos pais.
Fica claro, portanto, que medidas exequíveis devem ser tomadas para conter o avanço da problemática. Destarte, Urge que os municípios- em seu poder sobre o ensino básico- devem criar, nas escolas, projetos de atendimento psicológico mensal, por meio da contratação de psicólogos que deverão conversar individualmente com os estudantes, a fim de perceber possíveis conflitos domiciliares que envolvam tanto o processo de toxicidade parental, quanto os bloqueios emocionais em formação. Além disso, em caso de diagnóstico, a escola deve acionar o conselho tutelar para tomar as medidas de proteção. Dessa forma, esse obstáculo será evitado e poderá ser criado um legado que Brás Cubas iria se orgulhar.