Os perigos da alienação parental

Enviada em 15/12/2020

O divórcio de Diana e Charles chamou a atenção internacional e as brigas e os escândalos tornaram-se públicos. Embora sem os títulos de nobreza, essa realidade conturbada é comum em diversas famílias. Os problemas matrimoniais mal resolvidos chegam aos filhos na forma de alienação parental. Essa situação manifesta-se quando um familiar usa dos filhos para se vingar de um dos genitores. Nesse sentido, a alienação parental fundamenta-se em relacionamentos corrompidos e gera traumas nos envolvidos.

Em primeiro lugar, deve-se analisar os casamentos na atualidade. Segundo Zygmunt Bauman, os relacionamentos da pós- modernidade são conexões, ou seja, não são duradouros, nem profundos. Dessa forma, sem uma forte base, os casamentos, em muitas vezes, são fadados ao fracasso. Além disso, a falta de inteligência emocional permite que o casal em processo de divórcio veja o cenário como uma briga e os envolvidos como inimigos. Assim, o relacionamento são frágeis e os términos, caóticos.

Nessa lógica, os filhos ficam expostos a um ambiente danoso para o desenvolvimento. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê a proteção de menores, contudo, os próprios pais criam um ambiente de instabilidade, quando, na verdade, deveriam proteger os filhos. Ao tentar colocar o outro genitor como vilão, o responsável faz como que a criança ou adolescente sinta-se inseguro e culpado pela situação de conflito. Como consequência, o jovem cresce como problemas pra se relacionar com o outro. Forma-se, então um círculo vicioso de problemas de convívio.

Fica evidente, portanto, que as uniões problemáticas dos pais afetam os desenvolvimento dos filhos. Para mudar essa situação, o Ministério da Justiça precisa, em conjunto com o Ministério da Saúde, abordar as questões psicológicas que existem nos processos de divórcio a partir de consultas com psicólogos e cartilhas de convivência entre os responsáveis, como forma de garantir os direitos da criança e/ou adolescente envolvidos. Ademais, as Secretarias de Saúde, em parceria com as escolas, deve promover o desenvolvimento da inteligência emocional com palestras e atividades que estimulem uma relação saudável com as emoções, afim de formar  inteligência emocional e permitir que possíveis conflitos sejam resolvidos de maneira harmoniosa.