Os perigos da alienação parental
Enviada em 29/04/2020
No livro “O Capital”, Karl Marx explica que alienação é a manipulação do comportamento de outrem sem que este note que suas ações estão sendo induzidas por terceiros. Tristemente, a alienação é uma prática muito comum, inclusive entre pais e filhos. Nesse contexto, essa ação reflete um quadro oneroso para o panorama familiar brasileiro, cujas raízes desse problema encontram-se atreladas à desestruturação familiar, e promove consequências ao psicológico da criança.
Mormente, é evidente que a desorganização familiar configura-se como o principal fator no que tange à problemática da alienação parental. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que algumas instituições, a exemplo da família, perderam sua função social, mas tentam conservá-la a todo custo. Nessa conjuntura, pode-se afirmar que crianças e adolescentes são usados pelos próprios pais em conflitos conjugais, nos quais, muitas vezes,os jovens são persuadidos a desenvolver antipatia por um de seus progenitores. Essas atitudes irresponsáveis por parte de alguns pais, infelizmente, apenas ignoram o bem-estar dos filhos e danificam seus psicológicos.
Consequentemente, a alienação parental gera impactos perigosos ao psicológico dos filhos. Na presença de um ambiente conflituoso e manipulativo, o jovem, acuado e triste, fica abalado; podendo ativar gatilhos mentais para o desenvolvimento de doenças psíquicas, como a depressão. Consoante aos dados divulgados em 2015 pelo CPS(Centro de Pesquisas Sociais), cerca de 30% dos jovens em clínicas de recuperação psiquiátrica afirmam ser vítimas de descaso parental. Infelizmente, esse fenômeno oneroso apenas contribui para que essa estatística aumente.
Urge, portanto, uma solução definitiva para essa problemática. Para isso, cabe ao Estatuto da Criança e do Adolescente(ECA), instituição governamental a qual tem o poder de intervir em núcleos familiares, mediante uma lei a qual deve ser aprovada pelo Poder Legislativo e sancionado pelo Poder Executivo, intervir em famílias que tenham filhos e que estejam passando por um processo de separação, com o uso de psicólogos para conversar com as crianças, questionando-as sobre seu bem-estar. Caso os profissionais detectem algum indício de manipulação parental, o ECA deve acionar a justiça para mover um processo judicial contra eles. Assim, poder-se-á atenuar a problemática da alienação parental e assegurar uma infância mais saudável para a população juvenil que sofre com este problema.