Os perigos da alienação parental

Enviada em 01/05/2020

Desde a consolidação do liberalismo no século XVIII o homem moderno lutava contra a alienação e o forte intervencionismo do Estado na economia. O lema decorrente disso, “deixai fazer, deixai passar” preza pela autonomia da economia ser regulada naturalmente e não ter dependência de outrem. De maneira análoga, no contexto atual, a alienação parental têm causado perigos por não ir de encontro com a tese proposta daquela época. A intervenção dos pais nas escolhas do filho corrobora para uma saúde psicológica debilitada e, por conseguinte, uma infância destruída. Uma vez que, a criança foi privada de ter suas próprias escolhas e de ser guiada pela sua própria natureza.

A priori, os bastidores da alienação dos pais nas decisões dos filhos já é moldada desde as primeiras discussões do casal, até evoluir para um quadro de manipulação psicológica por parte dos genitores, afetando a saúde psíquica da criança desde a tenra idade. Acerca disso, é pertinente trazer o conceito do filósofo pós-estruturalista Michel Foucault, no livro “Vigiar e punir”, é abordado a definição da disciplinarização dos corpos, no qual é colocado que todo “corpo dócil” é aquele que facilmente pode ser submetido, utilizado, transformado e aperfeiçoado a fim de se manter domínio sob comportamentos individuais, funcionando como uma espécie de lavagem cerebral. Nesse sentido, é inadmissível que o panorama supracitado continue persistindo, analisado que, devido a disputas entre duas pessoas, uma vida futura está ameaçada e sob risco de quem a deveria zelar.

Ademais, ressalta-se também, que devido a intrigas familiares, é fomentada uma infância arrasada para a criança que cresceu em meio a brigas. Segundo o pensador existencialista Jean-Paul Sartre, “o homem é condenado a ser livre”, e por essa razão, o indivíduo deveria ter a decisão de escolher com quem irá ficar sem sofrer influência parental, de modo a preservar seu bem-estar e o crescimento saudável da criança. Em detrimento disso, foi estipulada a lei 13.401/2017 que trata qualquer tipo de manipulação na liberdade da criança e do adolescente como violência psicológica, a fim de que haja a diminuição das ocorrências desse tipo de caso e que possar garantir a criança uma infância normal, sem as amarras conflituosas da família.

Portanto, para que a alienação parental seja atenuada no contexto atual, medidas devem ser tomadas pelo Ministério da Justiça juntamente com o Governo Federal, de modo a conscientizar os pais com uma espécie de reeducação familiar, no qual funcionará por meio de debates e palestras intermediadas por professores e educadores especializados de todo o país, a fim de mitigar esse entrave para que eles possam compreender que o mais significativo é a vida da criança, somente assim os ideais liberais serão fortalecidos. “Deixai fazer, deixai passar” deixai ela ser guiada pela natureza.