Os perigos da alienação parental
Enviada em 01/05/2020
A alienação parental, já discutida pelo expoente psiquiatra alemão Richard Gardner, na década de 1980, persiste como uma litigiosa realidade global, na sociedade contemporânea, na qual jovens são coagidos a odiar seus genitores sem nenhuma justificativa. Essa forma de abuso, causada pelo desentendimento entre os cônjuges, impossibilita a manutenção dos laços afetivos dos filhos com seus pais e induz sérios transtornos psicológicos a crianças e adolescentes.
Em primeira análise, é inegável que a tentativa de desqualificar um dos genitores da família prejudica a estabilidade dos laços parentais. Consoante à teoria de Michel Foucault, filósofo alemão, os novos mecanismos de poder exercem o controle sobre a maneira de pensar e agir dos indivíduos com pouca capacidade crítica. Sob tal ótica, pode-se considerar que a manipulação do comportamento infantil é um reflexo da alienação parental, haja vista que seus pais, na tentativa de “solucionar” insucessos amorosos, influenciam os filhos, ao disseminar discursos de ódio contra aquele que não tem a guarda da criança. Assim, essa relação conflituosa impede a preservação dos vínculos sentimentais da criança com ambos os membros, pois além de se sentir oprimido por aquele com quem mora, torna-se emocionalmente distante daquele que aprendeu a execrar nesse processo tão iníquo e desumano.
Em segunda análise, essa forma de violência psicológica pode trazer graves transtornos mentais aos filhos alienados. Segundo a psicóloga Simone Eliane, em entrevista ao programa de TV paranaense Vitrine, os desdobramentos da alienação parental sobre crianças e adolescentes não são positivos e trazem, na maioria dos casos, sensação de desamparo, ansiedade, depressão, dificuldades interpessoais e agressividade. Nesse viés, os transtornos psicológicos advindos dessa prática nefasta também se configuram como uma questão de saúde pública, pois além de obstruir as relações afetivas com os seus pais, prejudicam o desenvolvimento mental dos jovens. Assim, os danos irreparáveis à saúde mental dessa população são, em parte, consequência da negligência governamental quanto à falta de um programa efetivo de acompanhamento psicológico dessas famílias, que precisam ser mais bem educadas e orientadas, para que se evitem os perigos associados à presente problemática.
É evidente, portanto, que a alienação parental gera consequências no que tange à impossibilidade de manter laços afetivos e a doenças mentais. Desse modo, cabe ao Estado combater essa prática por meio da elaboração de oficinas mensais, com duas horas de duração, nas quais participarão os genitores e seus filhos conjuntamente. Essas oficinas devem contar com a presença de psicólogos que ofereçam suporte emocional aos envolvidos e tratem o tema do divórcio como um processo natural, a fim de promover uma melhor relação familiar e prevenir doenças mentais potenciais em seus filhos.