Os perigos da alienação parental
Enviada em 24/04/2020
O filósofo Zygmunt Bauman explica, através do seu conceito de modernidade líquida, que a sociedade está cada vez menos tomando decisões duráveis e concretas. Partindo dessa análise, percebe-se que os matrimônios estão se dissolvendo com mais frequência e quem sai mais afetado dessa relação, sem dúvidas, é a criança. Desse modo, a disputa pelo filho acaba aumentando a possibilidade da alienação parental com a manipulação da criança o que, por sua vez, afeta o seu desenvolvimento. É preciso, inicialmente, entender que a relação entre pais e filhos exige uma posição de disciplinarização. Dessa forma, em situação de conflitos familiares é comum romper a linha tênue existente entre a educação dos filhos e a manipulação deles para o interesse próprio. Isso acontece porque a criança é vista como uma corpo dócil, conceito descrito por Michel Foucault, que tende a ser manipulada por esferas de poderes que nesse caso são os parentes. Tal situação pode ocasionar uma grande confusão na cabeça das crianças e afetar seu desenvolvimento social.
Pontua-se, desse modo, como consequência do fogo cruzado entre os pais, a absorção de atitudes dos seus responsáveis, influenciando no seu comportamento futuramente. Isso ocorre, essencialmente, porque a identidade de alguém está diretamente ligada as pessoas em que ela conviveu em seu período de crescimento e especialmente porque na infância e na adolescência é o momento no qual esses indivíduos tendem a imitar os comportamentos dos pais, trazendo, evidentemente, a interiorização da exterioridade e, futuramente, a exteriorização da interioridade descrita por Pierre Bourdieu.
Entendendo, portanto, que a alienação parental está quase que exclusivamente ligada a situações conflituosas, é imprescindível que o Estatuto da Criança e do Adolescente, em virtude da sua responsabilidade social, intensifique os meios de informar o público alvo, os responsáveis, sobre as consequências dessa manipulação. Isso deve ser feito por meio de propagandas com caráter persuasivo, em rede nacional, cujo objetivo seja mostrar quem realmente se prejudica com a situação e direcionar para soluções amigáveis. Somado a isso, esse mesmo órgão deve, também, promover projetos que visem a redução dos impactos familiares, como reunião para a situação em questão mediada por profissionais responsáveis. Ambas atitudes devem ser efetuadas a fim de reduzir exponencialmente o número de casos de alienação parental para que, também, reduza o desenvolvimento de adultos e adolescentes com sequelas de uma momento da infância.