Os perigos da alienação parental

Enviada em 01/04/2020

Desde os primórdios da instituição familiar, existem conflitos entre o pátrio poder e o mátrio poder. No que tange ao exercício de poder e voz de fala dentro do núcleo familiar, o filho é colocado em um local sem voz ativa. Tal fato pode facilmente estar em paralelo com o pensamento de Augusto Cury, que evidencia a alienação e conformismo ao citar : Nada é tão perigoso para aprisionar a inteligência do que aceitar passivamente as informações. Indubitavelmente, o desencadeamento de quadros de depressão, ansiedade e problemas de relações interpessoais são marcas indeléveis causadas pela alienação parental.

Inicialmente, é fundamental para a análise do conceito de filosofia ética nesse contexto. Segundo o filósofo racionalista Immanuel Kant, a ética deveria ser elevada a uma ‘‘máxima universal’’, regra de natureza moral que contém todo o fundamento para o bem-estar. Nesse viés, as instituições familiares falham ao aplicar o exercício ético, visto que o alienador implanta na memória do filho uma imagem negativa do outro genitor. Nessa perspectiva , a alienação parental provoca distúrbios na formação dos jovens, pois iram crescer em um ambiente conturbado e longínquo da expectativa moral universal.

Ademais, é importante enfatizar os perigos da alienação no núcleo familiar e seus efeitos sobre a criança e o adolescente. A par disso, o sociólogo Thomas Hobbes evidencia que o determinismo social é a crença de que o ambiente onde o indivíduo está inserido determina seu comportamento. Assim, com o discurso difamatório parental, o desenvolvimento lúdico  e psicológico da criança é afetado diretamente, por ela estar inserida em um ambiente de ‘‘pé de guerra’’. Prova disso, são os dados da Organização Mundial da Saúde, que mostra casos de crianças e adolescentes com quadros de depressão e ansiedade que gira em torno de 1 a 3% da população entre 0 e 17 anos, o que significa, mais ou menos, 8 milhões de jovens.

Diante do exposto, torna-se evidente que a alienação parental é precursora de diversos distúrbios psicológicos. Portanto, cabe ao Estado por meio do Ministério da Justiça, aprimorar a aplicação e fiscalização da Lei da Alienação Parental vigente, de modo que haja uma parceria com os sistemas de ensino para acolher denúncias, a fim de restaurar a integridade juvenil. Ademais, a prefeitura em associação a rede pública e privada de ensino, promovam palestras com os responsáveis das crianças e adolescentes, com auxílio de pedagogos e psicólogos especializados, com o intuito de buscar melhorias nas abordagens de diálogos e modos comportamentais de convivência familiar. Sendo assim, uma família unida no preceito de respeito e bem-estar social é capaz de mitigar essa problemática.