Os perigos da alienação parental
Enviada em 22/10/2019
Na obra cinematográfica “O Armário de Jake”, é retratada a história de um garoto que tem uma infância conturbada, devido ao divórcio de seus pais e pelo fato de sua mãe minar a relação paterna do jovem. Fora da ficção, é perceptível que essa realidade é conspícua no Brasil hodierno, uma vez que muitas famílias passam por esse tipo de alienação parental, na qual um dos pais incita o afastamento e o ódio em relação ao outro. Destarte, sabe-se que essa problemática está relacionada ao crescimento do número de divórcios no país e também à manipulação psicológica dos pais em relação aos filhos, sendo um problema alarmante para a contemporaneidade. Nessa perspectiva, é impreterível uma intervenção governamental com o fito de mitigar o problema supracitado.
A princípio, ressalta-se que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de divórcios no Brasil tem crescido nos últimos anos. Esse dado demonstra que as relações conjugais estão se enfraquecendo com o passar do tempo, afetadas principalmente por problemas matrimoniais como o desafeto, a desconfiança e a falta de diálogo. Dessa forma, muitos desses divórcios acabam afetando negativamente na saúde mental da criança, uma vez que alguns pais incitam o afastamento dos bambinos de uma das partes da relação, cometendo alienação parental, que apesar de ser um crime, é muito presente na sociedade contemporânea.
Outrossim, embasado no pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, a violência simbólica se caracteriza por qualquer tipo de violência verbal que causa impactos negativos no psicológico do violentado. Por conseguinte, é indubitável que a alienação parental é um exemplo claro da premissa apontada por Bourdieu, desde que muitas pais e mães utilizam da manipulação psicológica para afetar os filhos, incitando raiva, ódio e rancor, sendo algo muito prejudicial para a saúde mental das crianças. Infere-se, portanto, a premência de buscar soluções viáveis para essa problemática. Para isso, é de suma importância que o Governo Federal, em parceria com empresas privadas, busque desenvolver um projeto de combate à alienação parental, por meio de um campanha que leve profissionais de saúde mental aos lares de divorciados, para acompanhar todo o processo de separação com os pais e os filhos, de forma a garantir que seja saudável para todas as partes. Ademais, cabe ao Poder Legislativo desenvolver leis mais severas para esse tipo de prática criminosa, com punições maiores para as partes que pratiquem tal ato. Dessa forma, o Brasil estará contribuindo para a saúde mental das crianças e evitando que situações como a retratada em “O Armário de Jake” não voltem a ocorrer.