Os perigos da alienação parental
Enviada em 16/10/2019
Sob sombras forjadas
No período da idade de ouro da filosofia ocidental, o pensador Platão propôs a “alegoria da caverna”, a qual trata sobre a condição ilusória em que se encontram indivíduos manipulados por sombras. Apesar de séculos decorridos, esse mito ainda mostra-se pertinente para ilustrar o cenário perverso de alienação parental vivido por algumas crianças e adolescentes. Nesse sentido, deve-se observar os perigos desse crime a partir dos efeitos negativos que podem ser gerados no ser afetado.
É preciso dizer, em primeiro lugar, que a alienação parental se apresenta como perigosa a partir do momento em que se manipula crianças. Tal constatação é melhor compreendida quando se pensa nos conceitos criados na psicanálise de Freud. De acordo com o médico, o aparelho cognitivo possui uma área que é construída por meio dos processos de socialização. Diante disso, percebe-se o porquê deve-se repreender a manipulação feita pelos responsáveis, pois, diante de pessoas ainda não desenvolvidas, esse ato pode formar indivíduos com visões distorcidas da realidade. Fato que, por conseguinte, coloca esses pequenos seres em perversas cavernas ilusionistas.
Cabe ressaltar, além disso, que, diante do contexto da dominação psíquica da criança pelo responsável agressor, a supressão da autonomia desse ser desprovido de senso crítico é outro problema a ser elencado. De acordo com o filósofo Jean Paul Sartre, o ser humano seria condenado a ser livre. No entanto, pelo cenário observado, parece que esse pensamento ainda não se materializa na vida de todos os indivíduos. Com isso, institui-se uma adversidade àquela pessoa afetada, pois, ao invés de a figura manipuladora apresentar os fatos, ela prefere impôr perversamente sua vontade ao pequeno, contrariando a lógica sartriana de liberdade.
Fica claro, portanto, que a alienação parental é perigosa e deve ser combatida. Para tanto, familiares próximos ao jovem que apresenta condutas questionáveis, típicas da manipulação, devem buscar a ajuda de um psicólogo, convidando a criança a participar de sessões terapêuticas com esse profissional. A fim de, assim, minimizar os problemas que a prática da alienação possa ter gerado ao pequeno. Ademais, essa colaboração psicanalista também precisa ser acompanhada da denúncia do agressor ao juizado de menor. Com o objetivo de, dessa forma, levar o manipulador a cumprir as penalidades previstas e evitar a repetição desse tipo de crime por parte dos adultos.