Os perigos da alienação parental

Enviada em 19/10/2019

Em meados do século passado, o escritor austríaco, Stefan Zweig, encantado com o Brasil, escreveu um livro cujo título é até hoje repetido: ´´ Brasil, país do futuro´´. Ao analisar a forte alienação parental existente na sociedade brasileira contemporânea , percebe-se, entretanto, que a profecia de Zweig não saiu do papel, visto que a interferência parental gera diversos problemas: dificuldades de aproximação do outro genitor responsável, como também, entraves psicológicos e emocionais às vítimas.

Antes de tudo, é válido ressaltar que a  prática da alienação parental, embora, pouco discutida pelo núcleo civil, se mostra como uma questão a qual afeta as relações familiares de substancial parcela das famílias brasileiras. Com isso, é notório que as crianças e adolescentes são as mais prejudicadas, pois é inquestionável que são alvos de uma grave exposição, ficando, assim, em meio a uma indagação  engajada pelo poder sobre o filho e a ridicularização da outra parte responsável. Desse modo, a aproximação e o exercício da autoridade parental é afetada submetendo as vítimas a conviverem com a ausência de um dos lados familiares. Nesse viés,  isso reflete o que defende o sociólogo Zigmund Bauman em sua obra Modernidade Líquida, o qual destaca que as relações hodiernas são frágeis, dotadas de individualismo, fazendo, assim, com que os indivíduos não se importem com o a dor do outro.  Diante disso, vê- se que a alienação parental é uma prática deplorável em que o amor pelos filhos é deixado à parte, enquanto o ego dos praticantes é hediondamente alimentado.

Somando a essa ideia, a problemática da interferência parental  se configura como um ato de carácter destrutivo, o qual acarreta entraves psicológicos e emocionais como tristeza, medo e angustia às crianças e adolescentes . Nesse sentido, o fato ocorrido na novela global ´´ O Outro Lado do Paraíso``  em que o personagem Tomáz sente medo da própria mãe mostra como a alienação detém poder sobre o comportamento das vítimas. Nessa perspectiva, a alienação parental fere o direito fundamental da convivência familiar saudável, necessitando, urgentemente ser abolida da sociedade canarinha.

Diante dos impasses, é indispensável, portanto, que o Congresso Nacional, mediante uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, possa propor mais investimentos no setor educacional, o qual promoverá campanhas e palestras nas escolas e mídias em geral, ministradas por especialistas na área (psicólogos, mestres e doutores em formação familiar) direcionadas à pais e filhos com o intuito de atenuar os entraves  e promover uma convivência saudável entre famílias. Paralelamente, o Ministério da Saúde deve identificar crianças e adolescentes vítimas, para assim, oferecer tratamento  psicológico  por meio do SUS, tendo como objetivo erradicar as doenças causadas pela interferência parental. Feito isso o Brasil poder-se-á ser uma país de futuro, como idealizou Zweig.