Os perigos causados pela influência digital no Brasil
Enviada em 06/09/2024
Historicamente, a televisão e a imprensa sempre desempenharam uma forte influência no comportamento e modo de pensar da população brasileira. Porém, com a ascensão e democratização da internet no Brasil, influenciadores digitais vêm ganhando cada vez mais destaque e o “controle” que exercem pode acarretar em muitos perigos àqueles que os seguem. Tal revés decorre de uma mentalidade popular marcada pela falta de educação digital e ceticismo e da inércia estatal.
Nesse contexto, é notório que a falta de critérios ao consumir conteúdos digi-tais torna o público mais propenso a ceder à influência de comportamentos que podem fazer mal - a quem consome ou a outrém. Acerca disso, Paulo Freire afirma que a autonomia do indivíduo como cidadão se á por uma formação que o instrua sobre as idiossincrasias do mundo em que vive. Entretanto, o sistema educacional brasileiro carece de atividades e disciplinas que instruam os estuda-tes a serem criteriosos em relação ao conteúdo que estão expostos na internet. Desse modo, o brasileiro médio carece de recursos para não se deixar ser influen-ciado por comportamentos autodestrutivos e hostis, como o vício em casas de aposta, execução de práticas financeiras ilícitas e até repercussão de discursos de ódio.
Ademais, a falta de iniciativa estatal para instruir a população brasileira contri-bui para a perpetuação do problema. Sob esse viés, Michel Focault afirma que é papel do Estado garantir o bem-estar de todos os indivíduos, o que exige a autonomia intelectual. Entretanto, tal emancipação congnitiva não está dentre as prioridades da esfera administrativa, uma vez que não há ações que impeçam as práticas de vendas de cursos que não proporcionam qualificação e exibição e propagandas manipuladas de apostas que prometem ganhos irreais. Tais atividades são extremamente antiéticas e, de acordo com a BBC Brasil, estão em todos os nichos de conteúdos da internet (maquiagem, veículos, esportes, etc).
Portanto, urge a necessidade de ação estatal. Logo, cabe ao Ministério da Educação incluir matérias escolares que contribuam para o discernimento em meio virtual dos brasileiros. Essas matérias devem contar com professores qualificados em ética e filosofia, que priorizem a construção de senso crítico e ceticismo. Dessa forma, as pessoas não mais serão lesadas pela má influência digital.