Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 13/01/2021
Na obra ficcional “Eu, Robô”, do autor Isaac Asimov, as Leis Robóticas são normas que impõe condutas comportamentais aos robôs. Essencialmente, essas normas tencionam a proteção dos humanos e manutenção da sua soberania. Sob esse prisma, a discussão acerca das questões éticas e morais relativas à Inteligência Artificial (IA) torna-se relavante, haja vista a crescente utilização dessa tecnologia no contexto contemporâneo. Dessa forma, é preciso que a sociedade busque meios de promover a integração dessa ferramenta com seus anseios, de modo que o progresso tecnológico seja aliado, e não inimigo, do ser humano.
Em primeiro plano, faz-se necessário observar que o desenvolvimento tecnocientífico tem, como uma das funções, promover o bem-estar social. A esse respeito, consoante a ética utilitarista, proposta por J. Bentham e J. Mill, a sociedade deve buscar meios de maximizar a sua felicidade. Nesse sentido, a criação de aparatos tecnológicos que facilitem a vida dos indivíduos e diminuam as disparidades sociais são bem-vindos. Sob esse prisma, nota-se que a utilização da IA no cotidiano, como em reconhecimento facial para fins de segurança e na assistência pessoal, atende à expectativa do utilitarismo. Assim, fica evidente que o progresso de uma tecnologia de superinteligência deve se atentar para as necessidades humanas, de modo a garantir sua felicidade.
Em segundo plano, vê-se a importância de criar mecanismos que impeçam que a IA atue nocivamente para com a sociedade. Nesse contexto, destaca-se o conceito do Imperativo Categórico, instituído por Immanuel Kant, o qual afirma que os indivíduos, como seres racionais, devem agir de modo que suas ações possam se tornar leis universais. Diante dessa conjuntura, como forma de garantir que a IA - como pensadora autônoma - respeite os preceitos éticos e morais humanos, é fundamental que no seu desenvolvimento se considere esses impasses, além das questões técnicas. Logo, entende-se que a evolução dessa tecnologia deve levar em consideração os efeitos sociais, de modo a garantir a segurança de todos.
Verifica-se, portanto, que o uso da Inteligência Artificial deve considerar o bem-estar social. Assim, com o fito de regulamentar essa tecnologia, é fundamental que a Organização das Nacões Unidas - dada as proporções que essa ferramenta pode alcançar -, criar um comitê internacional de ciberética. Tal ação pode ser viabilizada por meio da convocação de especialistas nessa tecnologia e da consequente criação de um código de ética que descorra sobre seus limites. Nesse âmbito, deve-se prezar pelo bem-estar humano em primeiro lugar, acima de qualquer avanço científico. Dessa forma, adotar-se-ão leis que, assim como as propostas na obra de Isamov, protejam os seres humanos.