Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 28/12/2020

“Estamos todos cegos”, já dizia José Saramago em sua célebra obra: Ensaio sobre a Cegueira. Analogamente, essa lucidez do grande escritor brasileiro evidencia que, muitas vezes, não somos capazes de enxergar problemas banais do cotidiano, como a substituição do ser humano pelo uso da inteligência artificial e suas implicações éticas e morais. Se, por um lado, houve avanço com a otimização do tempo em realizar determinadas tarefas pelas máquinas; todavia, infelizmente, os robôs poderão substituir a figura humana na sociedade futuramente e proporcionar tristes mazelas.

Convém ressaltar, a princípio, que a evolução dos meios de produção e a ascensão da tecnologia possibilitaram enormes avanços para a humanidade. Assim, é possível perceber em países industrializados como Estados Unidos, Japão e Alemanha que não só a medicina avançou com máquinas que realizam todas as funções vitais para o paciente, mas também a indústria desenvolveu-se com aparelhos altamente especializados e até mesmo robôs para efetuar tarefas. Dessa forma, houve um gigantesco progresso nos últimos anos com o aperfeiçoamento da inteligência artificial em nosso meio, diferentemente do século passado, em que não existiam  marcapassos, computadores  e softwares (mecanismos artificiais inteligentes) responsáveis por salvar milhares de vidas.

No entanto, assim como já afirmava Saramago: “Estamos todos cegos”, o homem do século XXI tornou-se um ser alienado, negligente e “cego” em relação as suas atitudes tecnológicas. Nesse sentido, é fulcral relembrar que a partir da Segunda Guerra Mundial em 1945, o próprio ser humano iniciou seu declínio com a construção da bomba atômica, reação inteligente de fissão nuclear, a qual dilacerou milhares de vidas, ademais construiu armas químicas com gases tóxicos para destruir judeus. De maneira geral, o homem sempre utilizou a inteligência artificial para fins negativos e injustificáveis, tendo em vista isso, é conveniente acreditar que a projeção de robôs do futuro gerará um caos ético e moral em nossa sociedade, uma vez que não só as famílias perderão seus empregos, autonomia e liberdade, como também, lamentavelmente, nossas vidas estarão a mercê de algorítmos inteligentes.

Urge, portanto, a necessidade fundamental de estabelecer limites éticos e morais para esses gananciosos por inteligências artificiais.Destarte, o Ministério da Tecnologia aliado as universidades  federais devem criar regras básicas,bem como uma fiscalização contínua em relação ao desenvolvimento de aparelhos tecnológicos em seus laboratórios, os quais possuem potenciais de problemáticas para a sociedade.Essas medidas serão realizadas por meio de cientistas, engenheiros e sociólogos que mutuamente trabalharão nos projetos, a fim de estipular os limites éticos e morais que aquela tecnologia implicará no cotidiano das famílias.Somente assim,não haverá “um mundo de cegos”.