Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 19/12/2020
Na obra cinematográfica Click, o personagem interpretado por Adam Sanfler encontra um controle que lhe confere habilidades fantásticas, como pausar e adiantar o tempo em que está inserido. Entretanto, o filme faz uma abordagem crítica sobre como o protagonista perde todos os prazeres da vida ao ficar fissurado nas maravilhas apresentadas pela tecnologia. Fora da ficção, os impasses éticos e morais do uso da Inteligência Artificial (IA), como as incertezas sobre o uso dessa tecnologia e a já existente manipulação da massa por ela, levantam cada vez mais discussões.
Em primeiro lugar, não existe certeza sobre como a IA irá se autodesenvolver, visto que é um sistema com acesso a uma rede com quantidade exorbitante de dados, a internet, e alguma capacidade de autoaprendizado. Nesse sentido, Einstein diz que “O espírito humano precisa prevalecer sobre a tecnologia”, e, se tratando de Inteligência Artificial, não é possível garantir isso. Assim, não seria possível prever, por exemplo, se máquinas utilizadas de forma automática na saúde não mediriam esforços para salvar um paciente ou optariam por poupar eletricidade que seria mais imporante que a vida humana. Desse modo, devido a sua imprevisibilidade, a utilização da IA em áreas críticas ainda são amplamente contestadas por muitos cientistas.
Por outro lado, a IA já é bastante utilizada em redes sociais e mecanismos de anúncio para mostrar ao usuário apenas aquilo que o interessa. Entretanto, essa manipulação de dados também é prejudicial ao usuário e, consequentemente, à sociedade como um todo, visto que cria uma bolha de opiniões similares que não necessariamente refletem a realidade do mundo em que ele vive. Em suma, essa restrição impede a utilização da rede para debates importantes, como quebras de tabus e preconceitos enraizados na sociedade, por mostrar ao utilizador apenas o lado com que ele já se identifica.
Portanto, é necessário que o Estado tome previdências para resolver o quadro atual. Dessa maneira, para uma realidade mais humana e com mais debates, o Poder Judiciário deve desenvolver leis que regulamentizam o uso da Inteligência Artificial no Brasil. Nessas leis estariam a obrigatoriedade da utilização de IAs em áreas críticas apenas como auxílio para profissionais já capacitados e que já realizam a função sem a mesma, além da imposição de que as IAs em redes sociais mostrem conteúdos diferentes dos acessados normalmente pelos usuários, a fim de utilizar dos benefícios da IA sem correr o risco da sua negligência e sem deixar com que os brasileiros fiquem presos a uma realidade que não condiz com a realidade do país. Somente assim, seria possível seguir o conselho de Einstein fazendo com que o espirito humano prevalecesse sobre a tecnologia.