Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 09/01/2021

Ao afirmar, “O desenvolvimento pleno da inteligência artificial pode significar o fim da raça humana”, o físico Stephen Hawking estabeleceu o avanço da inteligência artificial (IA) como uma grave ameaça à estrutura social vigente. De fato, ele estava certo, pois o uso inapropriado dessa nova tecnologia pode causar grandes perdas à humanidade. Dessa forma, percebe-se que as principais consequências desse problema são a substituição de trabalhadores e o monitoramento dos usuários da internet.

Em primeiro plano, evidencia-se que o aumento do desemprego é uma clara consequência do avanço da inteligência artificial. Nesse sentido, segundo a empresa de consultoria empresarial Mckinsey, até 2030, mais de 800 milhões de trabalhadores serão substituídos por máquinas autônomas. Esse panorama é extremamente preocupante, pois o aumento das taxas de desemprego ocasionada pelo avanço da IA poderá causar devastadoras crises econômicas mundiais. Então, é preciso uma intervenção para que essa inaceitável questão seja modificada.

Outrossim, é imperativo pontuar que o monitoramento dos usuários da internet é uma das ferramentas mais perigosas oferecidas pela inteligência artificial. Nesse contexto, de acordo com o portal de notícias G1, o Facebook, por meio de algoritmos de IA, coletou e utilizou indevidamente dados pessoais de 87 milhões de usuários. Tal fato demonstra-se como uma grande incoerência, já que, consoante à Constituição Federal, a intimidade e a vida privada de cada cidadão são invioláveis. Desse modo, é inaceitável que as novas tecnologias sejam usadas para fins de monitoramento dos indivíduos, pois fere gravemente o que é exigido constitucionalmente.

Fica claro, portanto, que o mau uso da inteligência artificial pode causar o aumento do desemprego e a violação da privacidade e dos direitos primordiais dos brasileiros. Logo, cabe ao Poder Legislativo (órgão federal responsável pela criação das leis), por meio de emendas à Constituição, aprovar leis que imponham limites ao desenvolvimento dessa tecnologia. Tais leis devem limitar o uso de máquinas para substituir trabalhadores humanos e proibir a coleta de dados dos usuários da internet. Assim sendo, o fito de tal ação é evitar danos irreversíveis que o mau uso da inteligência artificial pode causar à humanidade.