Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 02/12/2020
No documentário “The Great Hack” é relatado a relação entre a empresa inglesa Cambridge Analytica e o uso indevido de dados pessoais. No decorrer da trama, not-se como o grupo britânico manipulava, virtualmente, information individual in mass. Consoante com tais atos, é visto, no cenário atual, que princípios morais são negligenciados pelo uso antiético da inteligência artificial. Desse modo, cabe analisar como a falta de privacidade e de controle dos usuários fomenta a problemática.
É importante ressaltar, a priori, a carência de privacidade nas plataformas atuais. A respeito disso, foi promulgada, no Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais - que garante, sobretudo, a segurança dos nossos expostos na internet. Porém, normas são incapazes de amenizar o uso indevido de inteligência artificial, tendo em vista os casos recentes - como irregularidades da Cambridge Analytica - que interferem na privacidade do usuário. Conseqüentemente, os sistemas de captura de dados deturpam uma moral do cidadão devido ao armazenamento ilegal de informações.
Ademais, a falta de controle das pessoas frente à tecnologia impulsiona o problema em questão. De fato, a limite de autonomia dos dispositivos artificiais evidencia o baixo domínio do internauta sobre seus dados - ocorrendo, por exemplo, a realização de ações sem o consentimento dos dados. Nesse contexto, o filósofo Michel Foucault expõe que o poder é um conjunto de relações que produz assimetria e sustenta a autoridade. Desse modo, a inteligência computacional comporta-se como o detentor de poder, causando desequilíbrio: evidenciado pela ausência de controle humano.
Portanto, medidas hão de ser efetuadas para mitigar como práticas antiéticas da inteligência artificial. Para tanto, é necessário que as empresas privadas de tecnologia desenvolvam, por meio de plataformas digitais, algoritmos que notifiquem o usuário antes da utilização de suas informações e solicitar autorização para a tarefa. Com o auxílio de programadores, tal método irá garantir a segurança e autonomia pessoal dos mecanismos avançados. Com efeito, práticas imorais, como as realizadas no Reino Unido, serão atípicas na sociedade brasileira.