Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 28/11/2020
No jogo “Detroit” ilustra-se uma sociedade futurística, na qual a inteligência artificial é implantada nos robôs. No entanto, tal utopia mostra-se instável e danosa à população, uma vez que demonstra-se a tendência de formação de uma rebelião contra a exploração dessas máquinas. Fora do vídeo game, é possível notar que cada vez mais os aparelhos são utilizados para desempenhar atividades no cotidiano, seja na organização das redes sociais ou por meio da exploração do trabalho desses equipamentos. Urge-se, então, buscar soluções para resolver os impasses éticos e morais do uso dessa inteligência artifical a fim de coibir uma possível revolução estrutural tal como ocorreu no jogo.
Em uma primeira análise, sob a ótica digital, percebe-se uma grande influência da inteligência artificial na regulação das mídias circulantes nas redes sociais. Nesse caótico cenário, esse programa possui autonomia para influenciar as ações dos humanos, haja vista a grande manipulação que há por trás dos conteúdos acessíveis nas plataformas digitais. No documentário “O dilema das redes”, observa-se que o controle do algoritmo que regula as postagens é responsabilidade da IA - inteligência artificial- tal domínio faz com que se questione a confiança atribuida a essa entidade, já que a máquina não segue os padrões éticos e morais que regem a sociedade. Logo, não lhe cabe a responsabilidade de selecionar postagens e anúncios que afetam o regime do corpo social movido pela internet.
Ademais, vale salientar que a IA alterou a dinâmica da sociedade, visto que a substituição da mão de obra humana pelas máquinas causou a obsolescência de certos empregos e criou novas aréas de atuação. Nessa conjuntura, desde a revolução industrial, o papel do ser humano nas indústrias se tornou secundário, essa desvalorização é subproduto de uma sociedade capitalista regida pelo lucro, tal dinâmica é valorizada ao se mecanizar a produção, uma vez que aumenta-se a produtividade. Resta saber até que ponto essa secundarização do serviço humano é vantajosa, pois tal prática valoriza os equipamentos em detrimento do homem, o que, em um futuro próximo, pode causar a marginalização dos trabalhos manuais e a sobreposição de robôs sob os humanos, causando um caos estrutural.
Torna-se evidente, portanto, que a inteligência artificial opera sem os valores éticos e morais que regem a sociedade atual. Para reverter esse quadro, é preciso que a ONU -Organização das Nações Unidas- faça, em parceria com os cientistas tecnológicos, a criação de um projeto de moralização das máquinas. Por meio da implantação de dados na base dessa inteligência que possibilitem apenas atitudes que sejam moralmente aceitas, para que haja a tentativa de coibir movimentos extremistas e a influência negativa sobre os humanos. Dessa forma, espera-se que o futuro distópico de Detroit permaneça nos video games e a coexistência pacifíca entre homem e equipamento seja real.