Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 01/12/2020

O sociólogo Zygmunt Bauman, escreveu sua principal obra “Modernidade Líquida” ao observar as múltiplas transformações, no contexto da Guerra Fria, no âmbito social, econômico, político e também tecnológico. Este, tem surpreendido e causando preocupações éticas e morais em todo o mundo, principalmente relacionadas à Inteligência Artificial (IA). Tal, como Bauman diria, fluidez, tem se tornado cada vez mais entrópico e instável que pode trazer consequências imprevisíveis para a humanidade. Dessa forma é válido discutir sobre os impasses, não somente futuros, mas também atuais.

Em primeiro plano é necessário salientar que deturpações éticos, com o uso de IA ocorrem em todo instante e em todo lugar. Foi nesse fato que o documentário “O Dilema das Redes”, produzido pela plataforma de Streaming Netflix, se baseou. Em síntese, o filme evidencia como um padrão de números ou códigos, pode determinar o sexo, a idade, os interesses e inclinações ideológicas a partir das redes sociais. Atrelado à isso, há questões mercadológicas e políticas do qual o indivíduo não está ciente, pois ao traçar um perfil do usuário de forma tão específica tornam as sugestões mais efetivas. No âmbito social, as consequências são preocupantes, pois esse tipo de controle e manipulação pode trazer riscos ainda maiores às minorias e à democracia, dois aspectos que devem preservados para a manutenção do equilíbrio entre as comunidades de todo o mundo.

Outrossim, além da IA simples como a usada nos aplicativos de redes sociais tem-se ainda IAs mais complexas como robôs capazes de obedecer comandos e exercer funções da mesma forma que um humano adulto. Partindo disso, percebe-se a capacidade de evolução dessa tecnologia, pois cada avanço essas máquinas se tornam cada vez mais autônomas e úteis, mas também perigosas. Somando essa enorme capacidade tecnológica à velocidade em que esses saltos acontecem resulta em um ambiente completamente desconhecido e um futuro incalculável, o que pode representar, dentre as infinitas possibilidades, inúmeras ameaças contra a própria humanidade.

Logo, essa situação deve ser regulamentada mundialmente, assim como acorreu com o aquecimento global no atual Tratado de Paris e com o buraco na camada de ozônio no Protocolo de Montreal. Para isso, a ONU (Organização das Nações Unidas), cuja função é preservar a paz e as relações geopolíticas, econômicas e sociais internacionais, deve convocar uma conferência onde será discutido os perigos e estabelecido acordos de comunicação e transparência entre os países em relação as suas descobertas e desenvolvimentos na área da Inteligência Artificial. Dessa forma, evita-se que os membros desse acordo ultrapassem limites sem alertar os outros e sem criar medidas de segurança necessárias para a adaptação entre tecnologia e sociedade de forma gradual e planejada.