Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 05/10/2020

Da aclamada mente do dramaturgo Walcyr Carrasco nasce a telenovela brasileir a"Morde e Assopra", na qual o jovem Ícaro constrói um androide de sua esposa Naomi, dada por desaparecida. Ao reencontrar sua verdadeira amada, o cientista à apresenta à robô que, enciumada, passa a agir de forma agressiva com as pessoas de seu convívio. Como explanado, mesmo como representante de um grande avanço, a criação descrita pode também arriscar a integridade da população, o que torna cabível a análise sobre os impasses éticos e morais do uso da inteligência artificial.

Em primeiro plano, vale evidenciar o processo de Globalização, estudado pelo geógrafo brasileiro Milton Santos, como fomentador do problema descrito, haja vista a influência que ele exerce sobre as pessoas no cunho tecnológico. Nesse contexto, na busca por formas inovadoras de trabalhar, o homem buscou incessantemente por aparelhos diferenciados, aptos a realizar atividades a que fossem encarregados. Esses benefícios passaram, no entanto, infelizmente, a interferir, em negativo, na vida das pessoas, uma vez que as deixaram distantes da realidade e, concomitantemente, comprometeram sua saúde psicológica. Ademais, segundo estudo publicado no site Correio Braziliense, robôs substituirão cerca de 800 milhões de trabalhadores nos próximos 20 anos, fato que, em conjunto ao anteriormente comentado, fere a ética social, no que concerne ao direito à saúde mental e ao emprego.

Outrossim, além de estimular os entraves mencionados, o uso inadequado ou exacerbado da inteligência artificial interfere na garantia da integridade física e da estabilidade do senso de humanidade nas pessoas. Por vezes descontroladas, por serem um conjunto de peças com encaixes informáticos, os androides criados para sucumbir as necessidades populacionais tornam-se agressivos, o que, por vezes, compromete a segurança dos indivíduos. De forma absurda, todavia, muitos cidadãos ignoram tais riscos e, viciados em tecnologia, não pensam nessas complicações, o que vai a encontro do pensamento de Albert Einsten, grande físico alemão do século XX que, em uma de suas colocações, versou: “Tornou-se chocantemente óbvio que nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade.”.

Destarte, é imprescindível que medidas sejam tomadas para minimizar os impasses éticos e morais relacionados ao uso da inteligência artificial, que geram interferências para a integridade da população. É válido, portanto, que o governo promova, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, ações como palestras nos centros de criação robótica, a fim de instigar nos desenvolvedores de sistema a consciência sobre utilizar o recurso em questão de maneira controlada, com o auxílio de profissionais como informáticos. Quiçá, tais medidas diminuirão os riscos relacionados à saúde, ao emprego e a segurança, garantindo o senso de humanidade e a integridade social.