Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 05/10/2020

Martin Heidegger, pensador alemão, alertou, em 1950, que o pensamento computacional tornar-se-ia uma forma prevalente de pensar. De fato, nota-se a concretização dessa previsão, sobretudo, pelos avanços da Inteligência Artificial e, por isso, é de suma importância analisar os impasses éticos e morais de sua utilização. Desse modo, verificam-se como ferramentas que fomentam tal conjuntura, não só um sistema educacional deficitário, mas também a falta de efetivação das garantias constitucionais.

A princípio, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação cultural. No entanto, visualiza-se uma rede de ensino tecnicista, a qual prioriza a inserção do homem no mercado de trabalho, sem o estímulo, sobretudo, à tomada de consciência que, nesse contexto, revela-se na falta de princípios éticos e morais nas relações que permeiam o tecido social. Dessa maneira, observa-se um sistema educacional deficitário, o qual não dialoga com as ideias freireanas e, portanto, não forma cidadãos diligentes quanto à boa utilização da Inteligência Artificial.

Outrossim, a partir da intepretação da Constituição Federal, entende-se que é dever do Estado proporcionar um ambiente harmonioso. Entretanto, percebe-se uma outra realidade: a falta de políticas públicas eficientes, com o fito de dirimir os impasses relacionados ao uso da Inteligência Artificial, pela  prevalência de escolas que não estimulam comportamentos morais e éticos- como já supracitado. Nessa perspectiva, os fatos expostos ecoam o ‘‘Enigma da Modernidade’’, do filósofo Henrique de Lima, o qual elucida que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. À vista disso, a dissonância entre a narrativa factual e a Carta Magna precisa ser solucionada.

Logo, é fundamental que o Poder Executivo realize uma reforma educacional- por meio de debates com o Ministério da Educação- a fim de formar indivíduos com comportamentos sociais pautados em  bons princípios. Posto isto, é imperioso que tal ação interventiva foque, principalmente, nas ideias de Freire. Ademais, é imprescindível que as ONGs (Organizações Não Governamentais), aliadas à mídia, desenvolva campanhas publicitárias- mediante depoimentos de cientistas sociais- que expliquem a necessidade de o Estado criar políticas públicas, com o intuito de efetivar as garantias constitucionais. Dessa maneira, resolver-se-ão os impasses éticos e morais associados ao uso da Inteligência Artificial e, por fim, obter-se-á um pensamento computacional, como bem pensou Heidegger, mais harmônico.