Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 06/10/2020

Com o advento da Revolução Tecno-Científica- Informacional, a humanidade vivencia inúmeras transformações, principalmente no ramo das novas tecnologias. Assim, ferramentas de suporte a uma melhor qualidade de vida são incorporadas, de maneira intrínseca, no âmago da sociedade hodierna, como, por exemplo, as redes sociais e os aplicativos de “smartphones”. Nessa conjuntura, cada vez mais as atividades antrópicas estão sendo relegadas às “máquinas”, uma vez que, por apresentarem capacidade de cálculo elevado e conectividade interligada, desempenham-nas de maneira mais eficaz. Entretanto, isso cria uma relação de dependência em relação à tecnologia, o que pode apresentar consequências tanto no aspecto da economia mundial, assim como nas questões político-sociais.

Mormente, o uso de Inteligência Artificial pode levar a um cenário de monopólio financeiro pelas grandes corporações mundiais. Nesse contexto, o documentário “O dilema das Redes” mostra como as  empresas proprietárias das redes sociais utilizam técnicas de psicologia cognitiva para viciar os usuários no uso dessas ferramentas. Destarte, a população alienada torna-se presa fácil dos grandes conglomerados, por causa do elevado número de anúncios de diversos produtos, estrategicamente dispostos nesses aplicativos. Desse modo, é importante a regulamentação no campo da tecnologia informacional, a fim de criar barreiras para o monopólio financeiro por parte dessas empresas.

Ademais, as ferramentas de Inteligência Artificial podem ser utilizadas de forma a influenciar questões referentes a ordem político-social do planeta. Dessa maneira, o site “WikiLeaks” noticiou a utilização de “máquinas” para manipular a eleição de diversos países nos últimos anos, como Estados Unidos e Brasil, disseminando “fake news” para a população em geral, o que mostra o potencial nocivo dessas ferramentas no cenário geopolítico moderno. Logo, é fulcral a criação de mecanismos de forma a coibir a prática de manipulação eleitoral com o auxílio de tecnologia.

Portanto, fica evidente a necessidade de promover o uso consciente da Inteligência Artificial, sem ferir os preceitos éticos e morais da sociedade. Para isso, o Governo Federal deve implementar o marco regulatório da tecnologia informacional, por meio de uma medida provisória, que é o mecanismo legal de criação de legislação pelo Poder Executivo, com o intuito de impedir o uso indevido de ferramentas automatizadas e, consequentemente, combater a alienação financeira e política na sociedade.