Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 05/10/2020

No episódio “Volto já”, da série “Black Mirror”, é retratada a história de Martha, uma mulher que perde o marido em um acidente de carro e decide usar uma inteligência artificial para simular o cônjuge, em busca de suprir sua ausência. Na hodiernidade, a discussão acerca dos impasses éticos e morais do uso de tecnologias é recorrente e, por isso, faz-se necessário debater os aspectos positivos e negativos da questão, a fim de atenuá-la.

Diante desse cenário, é importante ressaltar como as inteligências artificiais podem auxiliar o homem cotidianamente, visto que possuem capacidades de observação, aprendizado e planejamento superiores às humanas. Cada vez mais, empresas buscam agregar tecnologias disponíveis para gerar conhecimento e produtividade, em um processo caracterizado como 4° Revolução Industrial. Dessa forma, torna-se possível obter resultados mais eficientes a custos mais baixos, o que explica a ambição de inúmeras empresas de aprimorar ainda mais as inteligências disponíveis, o que pode trazer consequências severas para a sociedade.

Por conseguinte, ainda convém lembrar os impactos negativos da utilização exacerbada de tecnologias, como a dependência gerada e a possibilidade de ocorrência de erros. Devido ao aperfeiçoamento de inteligências artificiais, estas são capazes de realizar funções gradualmente mais complexas, as quais vão desde o atendimento virtual de lojas à direção de carros. Consequentemente, os riscos advindos de falhas na programação também se tornam maiores. De acordo com um estudo realizado pelas empresas SAS, Intel e Accenture, 69% das corporações brasileiras investem no treinamento de seus colaboradores para que sejam éticos quanto à utilização de tecnologias, o que revela a preocupação frente aos riscos do uso destas e a necessidade de monitoramento constante.

É perceptível, assim, que o uso de inteligências artificiais apresenta impasses na contemporaneidade e, por isso, é imprescindível que as empresas busquem reduzir o problema, por meio da maior regulação do uso das tecnologias, aumentando a fiscalização das funções, com funcionários qualificados para inspecionar as máquinas periodicamente, a fim de evitar acidentes. Ademais, é necessário que as escolas incluam o tema, por meio de aulas direcionadas, nas quais profissionais expliquem para os alunos os riscos e benefícios das inteligências artificiais, para que as falsas informações não alarmem a população. Dessa maneira, será possível minimizar o problema, assegurando para que o retratado no episódio de Black Mirror não passe apenas da ficção.