Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 04/10/2020

O episódio “Volto Já”, da série “Black Mirror” exibida pela plataforma de streaming Netflix, retrata a história de uma jovem, a qual enfrentando dificuldades em lidar com a perda de seu noivo, contrata um programa de Inteligência Artificial que age exatamente como ele. Fora das telas, o episódio serve como base para um debate acerca dos impasses éticos e morais em relação ao uso desses programas no mundo real. Nesse contexto, é necessário entender quais são esses dilemas e as consequências destes para a vida dos brasileiros.

Em primeiro momento, faz-se preciso compreender quais os impasses existentes. Nesse sentido, uma pesquisa realizada pela Machine Learning constatou que até 2050 a inteligência de uma máquina se equipará a de um humano, evoluindo por meio de uma aprendizagem constante. Assim sendo,  a criação de carros e aviões autônomos, robôs que realizam cirurgias e algoritmos que concluem certos trabalhos de maneira mais rápida, intensificam a participação de elementos tecnológicos no cotidiano. Decerto, tal realidade corrobora para um aumento da demanda de responsabilidade ética por meio das máquinas, proporcionando uma sensação de insegurança e uma necessidade de se traçar limites .

Nesse cenário, para o físico contemporâneo, Stephen Hawking, a falta de parâmetros éticos na criação de Inteligências Artificiais resulta em consequências negativas na vida humana. Assim, dispositivos que utilizam informações pessoais para a realização de uma avaliação de seus usuários, comprometem a privacidade do indivíduo. Além disso, com a chegada da chamada Quarta Revolução, a qual intensifica o uso de tecnologia, a automatização de empregos proporciona um conflito entre homem e máquina, uma vez que garante maior autonomia para esta. Ademais, o filósofo e especialista, Nick Bolstrom, acredita que essa forma de inteligência apresenta um risco para a existência humana, conforme apresentado pelo jogo “Detroit Become Human”, no qual homens e robôs travam uma guerra pela sobrevivência do mais forte.

Diante do exposto, é nítida a necessidade de medidas que solucionem essa problemática. Portanto, cabe ao governo, por meio do Ministério Público, a elaboração de leis que fiscalizem a implementação dessa tecnologia de maneira segura ao usuário, respeitando os limites da ética e a integridade humana, a fim de evitar possíveis dilemas. Outrossim, é papel das empresas privadas de ciência e tecnologia o desenvolvimento tecnológico de maneira segura, caminhando lado a lado com os princípios da moral e respeitando os limites impostos pelo governo, com o fito de promover o progresso sem desrespeitar ao cidadão. Somente assim, poderá ser solucionado os impasses que interferem no bem-estar social, promovendo uma convivência pacífica como proposto pelo episódio da série “Black Mirror”.