Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 04/10/2020

A dicotomia da inovação

No filme “Força-G”, da Disney, é retratada a jornada de uma equipe espiã que luta contra um perverso bilionário. Nesse sentido, a trama foca no empenho do grupo em combater os eletrodomésticos desenvolvidos pelo magnata, que tinha como objetivo dominar o planeta por intermédio desse maquinário sinteticamente inteligente. Fora da ficção, a realidade apresentada pelo longa é relacionada ao Brasil atual, visto que o debate acerca do uso da Inteligência Artificial (IA) vem ganhando força no cenário nacional. Sendo assim, é mister entender como a aplicação equivocada desses equipamentos pode acentuar o desemprego estrutural e submeter a humanidade ao controle da tecnologia.

Em primeiro plano, é importante destacar como os aparelhos dotados de intelectualidade sintética propulsionam a perda de postos de trabalho. Diante disso, menciona-se a Terceira Revolução Industrial, que consolidou a informática no mundo e abriu espaço para a Indústria 4.0 do século XXI, dotada de mecanismos de automação e troca de dados. Sob esse prisma, há o postulado de Karl Marx, o qual pontuou que o constante desenvolvimento de tecnologia iria proporcionar a substituição do trabalho humano pelos equipamentos. Logo, a IA, amplamente ambicionada nos dias de hoje e aliando produtividade e racionalidade na figura das máquinas, corrobora para o desemprego em massa.

Ademais, a utilização de dispositivos artificialmente instruídos pode culminar na submissão da raça humana ao “mundo high-tech”. Nesse contexto, tem-se o “Mito da Caverna”, de Platão, o qual expõe a vivência de um grupo de pessoas acorrentadas em uma morada subterrânea e que, por isso, são completamente alienadas e afastadas do saber externo. Analogamente à tese do filósofo, a banalização da IA impediria o homem de pensar e agir por si mesmo, fazendo-o refém dos novos mecanismos. Assim, Besnier, que atestava a tecnologia como agente desumanizador, provar-se-ia certo, já que a humanidade deixaria a condição exclusiva de ser racional, favorecendo a hegemonia das máquinas.

Portanto, medidas hão de ser tomadas, a fim de afirmar a harmonia entre a IA e a experiência humana. Primeiramente, o Ministério da Educação, por meio da parceria com escolas, deve promover palestras que despertem o senso crítico da população acerca da necessidade de estabelecer um uso ético das novas tecnologias, exibindo a insubstituibilidade do homem para o planeta, como defende a campanha “Update My Voice”, da UNESCO. Ademais, o Ministério da Comunicação, Tecnologia e Inovação, a partir da cooperação com o Ministério da Cidadania, precisa assegurar a conciliação entre produtividade e bem-estar social, reforçando ações que combatam o desemprego, como a “Empregue +1”. Desse modo, garantir-se-ia uma vida distante daquela caótica do filme “Força-G”.