Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 03/10/2020
A Constituição da República de 1988 garante a todo indivíduo o direito ao trabalho e ao bem-estar social. No entanto, os impasses éticos e morais do uso de inteligência artificial impossibilitam que uma parcela da população desfrute desse direito na prática. Isso se deve à desigualdade socioeconômica e à falta de segurança e privacidade dos dados.
Antes de tudo, em relação à desigualdade socioeconômica, um sistema econômico bem distribuído é um fator essencial no desenvolvimento de um país. Hodiernamente, o Brasil ocupa, consoante ao portal G1, a nona posição na economia mundial. Nesse sentido, seria racional acreditar que o país possui uma boa distribuição de renda. Contudo, a realidade é o oposto e esse contraste é refletido na educação da população menos abastada. Destarte, sem educação de qualidade, essa parcela da população é obrigada a executar trabalhos manuais, contudo a inteligência artificial já provou que pode substituir essas pessoas nesse tipo de serviço, ou seja, com o avanço dessa tecnologia os trabalhadores manuais irão sofrer com o desemprego.
Ademais, faz-se mister salientar a falta de segurança e privacidade dos dados como impulsionador dessa mazela social. De acordo com a Constituição da República de 1988, todo indivíduo tem o direito à privacidade. Destarte, são necessários meios para garantir esse direito, uma vez que o avanço da inteligência artificial (IA) pode colocar em risco a segurança dos dados pessoais da população, visto que a IA tem acesso a esse tipo de informação.
Portanto, infere-se que há entraves para a construção de um mundo melhor, sem os impasses éticos e morais do uso da inteligência artificial. Dessa maneira, impende ao Ministério da Ciência e Tecnologia, órgão responsável pelo desenvolvimento tecnológico, propor diretrizes e normas regulamentadoras, por meio de verbas governamentais, que garantam recursos para a criação de um programa de cursos profissionalizantes para a população menos abastada e para a criação de um programa de ética com o objetivo de supervisionar o avanço da inteligência artificial. Dessa forma, por intermédio da educação e da supervisão, o Brasil poderia garantir o avanço da IA, sem consequências éticas e morais.