Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 03/10/2020

A Quarta Revolução Industrial é caracterizada pelo amplo uso das tecnologias em diversas áreas de atuação, como comportamento, saúde, educação e trabalho. Nesse contexto, encontra-se a inteligência artificial (I.A.), cujo desempenho vai além de programações de ordens específicas, estendendo-se à tomada de decisões de forma autônoma. Desse modo, surgem impasses éticos e morais em relação ao seu uso, os quais podem trazer consequências nocivas aos indivíduos. Logo, embora a I.A. traga benefícios inquestionáveis para a vida em sociedade, é imprescindível que sua utilização seja ancorada na ética humana.

A princípio, é fundamental que as consequências do uso da tecnologia inteligente sejam trazidas ao debate. Sob esse aspecto, o filósofo Jürgen Habermas apontou que o progresso é sempre mais rápido que a ética. Nesse sentido, pensa-se primeiro em modernizar os processos para depois lidar com as implicações. A exemplo disso, pode-se citar a automatização de postos de trabalho: primeiro há o lançamento de tecnologias que minimizem custos e deixem os processos autônomos, para então pensar no desemprego estrutural que isso pode causar, bem como na falta de preparo profissional das pessoas que lidam com tais inovações. Depreende-se, então, que as consequências éticas devem andar junto com o progresso para que não haja prejuízos para a ordem social.

Por outro lado, é inegável que a I.A. traz enormes ganhos quando pensada para o bem coletivo. Nessa conjuntura, cabe apontar os diagnósticos por imagem na medicina, os quais se tornam mais precisos quando lidos por algoritmos especializados. Além disso, foi publicado na revista Pesquisa Fapesp a criação de um drone que monitora o desmatamento de forma autônoma, emitindo relatórios com riqueza de detalhes e abrangência em tempo recorde quando comparado ao manual. Dentro desse espectro, fica claro que a inteligência artificial pode multiplicar a capacidade racional do ser humano, mas deve, antes de tudo, ser pensada para o melhoramento da sociedade e ter a ética como princípio basilar.

Torna-se evidente, portanto, que existem impasses no uso da tecnologia inteligente e como a ética precisa estar atrelada a ele. Por conta disso, o Ministério da Educação deve reformar a ementa de cursos que envolvem o uso de tecnologia, uma vez que são o lar das inovações. Isso pode ser feito por meio da inclusão de disciplinas obrigatórias de sociologia, filosofia e antropologia, nas quais serão discutidos princípios éticos e mitigação das consequências que podem surgir na automação dos processos, a fim de que a consciência social dos futuros profissionais seja fortalecida e a inteligência artificial seja uma grande conquista da Quarta Revolução Industrial.