Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 09/04/2018

Característica notável da 3ª revolução industrial, o ciclo da obsolescência programada tem como objetivo limitar a vida útil de bens de consumo tanto por meio da utilização de materiais programados para funcionar por certo tempo ou por meio do constante lançamento de aparatos mais recentes, incentivando o consumo. Peculiaridades desse processo podem ser expressadas através de uma sociedade de consumo, na qual o sucesso passa a ser definido pelos bens materiais e a publicidade a partir do apelo, levando a um estilo de vida pouco rentável e que acarreta em uma sociedade pouco consciente e com elevadas dívidas.

Recorrendo a falsas promoções e fraudes, bem como ao apelo infantil representado principalmente por propagandas televisivas e pelo uso de personagens populares, o mercado publicitário realiza um forte apologia ao consumo supérfluo, resultando no crescente acúmulo de produtos pouco úteis ou com curto período de uso. Exemplo disso pode ser encontrado em datas como a “Black Friday”(Sexta-feira preta, em tradução livre), termo popularmente usado para designar uma sexta-feira na qual deveriam ser realizadas promoções, mas que muitas vezes oferece preços normais ou até mais elevados, em razão de ações como a divulgação de um valor anterior superior ao real, com o propósito de atrair  potenciais consumidores, crentes de estarem fazendo um bom negócio.

Em decorrência da representação do atual mercado brasileiro pelo viés do apelo midiático e da obsolescência programada, surge a ideia de que o sucesso seria definido pelos bens adquiridos. Assim, cidadãos buscam consumir mais como forma de demonstrar relativo poder aquisitivo, o que gera constantes dívidas e empréstimos, reforçando as desigualdades sociais, uma vez que as classes menos favorecidas são prejudicadas por um padrão que são incapazes de manter. Consequências disso podem ser demonstradas por meio de uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em 2017, a qual afirma que apenas três em dez brasileiros são consumidores conscientes.

É imprescindível, portanto, que o Governo Federal, por meio do Ministério da Fazenda, crie uma secretaria para o controle midiático de possíveis fraudes, por meio da fiscalização e mediação de valores e ao apelo infantil, aplicando multas às empresas praticantes, sendo o objetivo a redução das dívidas supérfluas e do consequente endividamento desnecessário. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Fazenda, deve realizar a conscientização direcionada ao consumo consciente, a partir de palestras de economistas abertas à comunidade e frequentemente realizadas em ambiente escolar, a fim de proporcionar hábitos de consumo saudáveis e acessíveis.