Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 09/04/2018
Inconsciente. Intuitivo. Impulsivo. Indiscriminado. Esses quatros adjetivos podem ser atribuídos ao perfil do consumidor brasileiro. Tal perfil começou a ser moldado a partir da estabilização da moeda na década de 90. Durante este período o consumo aumentou e teve seu auge com a ascensão da classe média no século XXI. Devido a esses pilares e também a uma conjuntura social, a qual associa consumo a bem estar, o brasileiro não é consciente quanto àquilo que consome. Dessa forma, seus hábitos fogem a uma organização financeira e também a uma consciência socioambiental daquilo que compra.
A priori, destaquemos que há em nossa sociedade o consumismo. É notável que ele esta enraizado em nossa cultura e é respaldado no ditado popular “ter para ser”. Dessa forma, o consumidor age de maneira ignorante e consome produtos e serviços que não precisa com o intuito de passar determinada imagem para a sociedade. Entretanto, ele esta alimentando uma indústria capitalista não consciente, ao mesmo tempo em que se endivida. Esse pensamento foi discutido por Baudrillard ao dizer que o consumo é direcionado e virou uma forma de socialização. O principal fator que gera essa problemática é a falta ou a falha de uma educação financeira.
Outro ponto importante diz respeito a um consumo socioambiental consciente. Atualmente, nota-se um avanço perante a preocupação com o que e por quem os produtos são feitos. Isso diminui a agressão ambiental e também a situação de um trabalho quase escravo. Todavia, a preocupação existente ainda não é suficiente para enxergar que os hábitos de consumo brasileiros atuais estão ferindo gravemente a nossa fauna e flora, o que irá refletir de forma negativa nas futuras gerações. Como exemplo de um consumo desenfreado temos a obsolescência programada, esta diminui o tempo de uso do produto. Isso faz com que novos produtos sejam produzidos, extraindo mais matéria prima e aumentando o montante de lixo.
Destarte, é preciso que haja uma implementação na grade curricular para incluir uma disciplina sobre educação financeira, visando formar cidadãos conscientes e críticos quanto àquilo que consomem. Isso pode ser posto em prática pelo Ministério da Educação. Além disso, ONG’s em associação com aparatos midiáticos podem desenvolver campanhas que mostrem ao consumidor que o consumismo faz mal para ele e para o meio ambiente. Associado a isso, é necessário que haja uma regulamentação mais rígida quanto à produção desenfreada, objetivando danos mínimos ao meio ambiente. Essa é uma ação que pode ser feita pelo Governo Federal em ação conjunta com o Poder Legislativo. Dessa forma, aos poucos, a sociedade brasileira pode atribuir novos adjetivos ao seu perfil consumista.