Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 13/08/2021

Fenômeno relevante na sociedade brasileira atual, os efeitos da quarentena e da pandemia do coronavírus nas crianças preocupam a sociedade como um todo, dado o amplo impacto negativo decorrente dessas. No cenário em questão, o déficit educacional aliado a padrões de comportamentos depressivos são problemáticas consequentes desse fenômeno. Dessa forma, políticas públicas a fim de amenizar esses impactos tem caráter emergencial.

Nesse contexto, as crianças são vítimas de um déficit educacional considerável. Isso ocorreu de forma que, com a pandemia, as escolas foram fechadas, o que acarretou no ensino à distância. Entretanto, como o modelo EAD não tinha sido usado no país pelas escolas de base, a falta de instrução e de experiência dos profissionais e pais com o novo modelo prejudicou o processo de aprendizagem. Além disso, há ainda a falta de equipamentos básicos para a efetivação do modelo, como computadores e internet viáveis à todos. Essa situação, faz das crianças cidadãos de papel, isto é, cidadãos que só têm o seu direito garantido por lei e não de forma prática, de acordo com o sociólogo Dimenstein, já que a educação, incluindo seus recursos, são direitos garantidos por lei a todos.

Ademais, as crianças lidam ainda com conflitos psicoemocionais, os quais refletem, inclusive, na vida adulta. Nesse sentido, uma vez que as crianças estão em fase de desenvolvimento e isso é feito por meio de vivências e emoções decorrentes dessas, a falta de interação com outras crianças, a mudança brusca de rotina e o confinamento tornam as crianças vulneráveis a sentimentos como tristeza, ansiedade e estresse. Essas situações, por sua vez, se não tratadas corretamente podem desencadear em problemas emocionais como depressão, além de prejudicar a capacidade de socialização. Esse fato é explicado pela teoria da tábula rasa, do filósofo John Locke, a qual mostra que a criança é como uma folha em branco e suas experiências iniciais moldam o seu caráter e sua forma de agir no futuro. Logo, políticas públicas que amenizem os impactos da pandemia são essenciais.

Portanto, políticas públicas com o objetivo de reduzir os efeitos negativos do fenômeno são urgentes. Para isso, o governo, órgão responsável por gerir o país, deve atuar, por meio do Ministério da Educação, na criação de um plano escolar que envolva reforços escolares aos alunos da educação de base, os quais devem conter profissionais especializados e materiais necessários para auxiliar as crianças. Além disso, deve ser implantado também nas escolas, debates e encontros individuais com assistentes sociais e psicólogos, para os alunos e para as famílias a fim de tratar as vulnerabilidades emocionais decorrentes da pandemia. Tudo isso com o objetivo de garantir a saúde emocional das crianças e reduzir o déficit educacional dessas.