Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 09/08/2021

Observa-se os problemas relacionados à saúde mental e física como os principais efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças, os quais funcionam conforme a Lei da Inércia, a qual diz que todo corpo tende a permanecer em movimento até que uma força suficiente atue sobre ele. Nesse sentido, percebe-se o papel familiar, em consonância às desigualdades sociais, como as forças que mantêm a inércia da questão.

A princípio, deve-se considerar a importância da participação familiar durante o isolamento social. Tal fato fica evidente no livro Jane Eyre, de Charlotte Bronte, em que a tia de Jane castigava a sobrinha obrigando-a a ficar sozinha e trancada em um quarto, despertando na menina medo, angústia e melancolia, mesmo depois do castigo. Fora da Ficção, a solidão e a quarentena, atrelado à omissão familiar, podem gerar distúrbios psicológicos e retrocessos no desenvolvimento da criança, de acordo com pesquisas da Universidade de São Paulo. Desse modo, essa realidade é deveras preocupante, uma vez que, segundo o IBGE, há 11 milhões de brasileiros com depressão e ansiedade no Brasil.

“O progresso funciona como uma engrenagem, faz subir uma coisa esmagando outra”. A frase do escritor Victor Hugo exprime a ideia de que o capitalismo, sendo o progresso, ascende em detrimento de valores humanos fundamentais. Dessa forma, o vírus da desigualdade social torna-se mais perigoso às crianças do que a pandemia, já que as expõe não apenas ao COVID-19, mas também à fome, à miséria e à marginalização social. Nesse viés, sendo a arte uma mera reprodução da realidade, na contemporaneidade, há milhares de Janes pelo Brasil.

Destarte, é mister que para resolver os impasses o Ministério da Família, em conjunto às Prefeituras, promova um mutirão de atenção às crianças durante a pandemia, por meio do contato entre assistentes sociais e famílias em situação de vulnerabilidade social, associado à palestras online e vídeos postados em redes sociais que instruam os cuidados familiares com as crianças, para que as mazelas sociais sejam evitadas e as famílias tenham mais acesso à informação. Sendo, portanto, a diligência governamental e familiar como as forças capazes de mudar o rumo da problemática: da existência para extinção.