Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 09/08/2021
Na obra “O Cidadão de Papel”, o autor Gilberto Dimenstein define que as leis nacionais, apesar de estarem apresentadas em um conjunto consistente, existem apenas no plano teórico. Paralelamente, no Brasil, a representação de Dimenstein torna-se verídica, visto que a garantia de direitos básicos, como saúde e educação, não é efetivada. Desse modo, entende-se que políticas públicas efetivas fazem-se necessárias para solucionar as problemáticas na área de saúde, principalmente, mental e educacionais ocasionadas pela quarentena e pela pandemia do novo coronavírus nas crianças.
Em primeiro análise, vale ressaltar que a pandemia gerou diversos empecilhos direcionados à saúde mental das crianças e cabe ao Brasil, seja como Estado ou como sociedade, solucionar esses problemas. Analogamente, o Iluminismo consolidou, no século XVIII, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão e, consequentemente, o direito a condições dignas de subsistências a todos. No entanto, é inviável garantir uma boa qualidade de vida sem manter uma saúde mental estável, mesmo em tempos pandêmicos, já que as crianças são seres vulneráveis e que precisam de assistência, em seus diversos âmbitos, constantemente. Logo, faz-se necessária uma intervenção estatal para a garantia desse direito constitucional à população infantil.
Outrossim, a educação, um dos setores sociais mais afetados pela quarentena, é uma das formas mais eficazes de atenuar os efeitos negativos da pandemia nas crianças. Dessa maneira, consoante o fílosofo e professor Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Nesse sentido, compreende-se a importância da educação na vida dos brasileiros mais novos, especialmente durante o período de isolamento social, dado que ela auxilia na autonomia da criança, no desempenho intelectual e no aprendizado social, desenvolvendo o senso crítico e melhorando os sinais psicológicos, como tédio, inquietação e dificuldade de concentração.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Assim, cabe ao Ministério da Saúde tornar acessível os cuidados devidos com a saúde mental das crianças durante a pandemia, por meio de um programa gratuito que garanta consultas com psiquiatras e psicológos especializados nesse público virtual e gratuitamente, para que seja garantido o cumprimento do direito básico à saúde. Também, é dever das escolas e dos pais - visto que trabalham juntos para educar as crianças - reverter a lacuna educacional criada durante o período de quarentena por intermédio de projetos educacionais à distância que mantenham o contato e a interação social entre os alunos e que auxiliem no amadurecimento intelectual deles, com a finalidade de reestruturar a qualidade do ensino no Brasil e amenizar as problemáticas concebidas pela pandemia do coronavírus.