Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 03/08/2021

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Os versos de Drummond induzem uma reflexão sobre as adversidades encontradas ao longo da vida, como a pandemia da COVID-19, a qual configura-se como uma “pedra” no caminho das crianças. Surgem, nesse sentido, o comprometimento da formação educacional e da saúde mental do público infantil, como impactos da quarentena na vida dos pequenos. São prementes, pois, estratégias capazes de suavizar as consequências do isolamento social sobre as crianças, em nome da integridade dos mais novos.

É válido destacar, em uma primeira análise, como a prejudicialidade da educação e das interações sociais está atrelada à questão em pauta. Nesse contexto, segundo o filósofo Paulo Freire, “a educação molda almas e recria corações”. Diante dessa máxima, infere-se que com a falta de educação escolar adequada - advinda do distanciamento social - o processo de formação infantil não é completo e, consequentemente, as almas das crianças não podem ser “moldadas” e nem seus corações podem ser “recriados”. Posto isso, é inegável como, com o isolamento social, os menores perdem parte importante de seus processos formativos, o que pode acarretar em diversos problemas na formação deles como seres humanos e adultos.

Outrossim, a saúde mental das crianças é diretamente afetada pela pandemia do coronavírus. Sob esse prisma, o filme “Divertidamente” retrata uma menina cujo bem-estar mental é comprometido após se mudar de cidade. Fora das telas, a socialização constante é como um pilar metafórico que sustenta a mente dos pequenos a partir da diversão e do encorajamento social. Entretanto, sem socializar, as crianças ficam cada vez mais tímidas e reclusas, além da possibilidade de, assim como a menina de “Divertidamente”, contrair doenças da alma, ainda como criança, fato que ocorre com pelo menos 5% dos menores de 12 anos, segundo levantamento do Instituto Datafolha. Por conseguinte, é indubitável como, sem poder sair de casa para se divertir e encontrar os amigos, as crianças estão sujeitas a terem sua saúde mental completamente comprometida, uma vez que, não há nenhum pilar para sustentar suas mentes.

Infere-se, portanto, como o comprometimento da formação infantil e da saúde mental são impactos da pandemia da COVID-19 no público infantil. Logo, faz-se imperioso que o Ministério da Educação promova debates, por meio de vídeos e aulas on-line sobre a necessidade da socialização e educação adequada para as crianças, em tempos de pandemia, além da discussão de estratégias a fim de amenizar essa crise, com o fito de instruir os pais sobre como lidar com essa problemática e preservar o presente e o futuro das crianças.