Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 03/04/2021

Em um episódio da série televisiva “Black Mirror”, em um futuro distópico, os relacionamentos amorosos da sociedade são definidos por um algorítimo de um aplicativo. Não distante da ficção, hodiernamente, há uma terceirização das escolhas dos indivíduos devido a falta do autoconhecimento na era digital. Logo, é pertinente a análise das causas, consequências e possíveis medidas que possam atenuar a problemáica.

Primeiramente, na era cibernética, devido a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet, as pessoas, desprovidas de autoconhecimento, estão muito mais suscetíveis a comprarem por impulso. Tal impulso é proveniente de uma “autossabotagem”, na qual o comprador tem em mente que realmente precisa do produto a ser adquirido, quando muitas vezes isso não é verdade, pois ele foi induzido pela “copy” - mensagem que expõe o produto com “gatilhos mentais”, com o fito de que o destinatário seja tentado a comprá-lo. No documentário “The minimalists”, os apresentadores expõem essa nuance (compra por impulso) e afirmam que ela gera o acúmulo de bens desnecessários, endividamento e falta de propósito de vida. Logo, deve haver uma ruptura diante dessa conjuntura social.

No livro “Enquanto a fila não anda”, do missionário Luca Martini, ele afirma que, se a sociedade enxergasse a vida alheia mais como um filme, não como um foto, talvez não haveria tantos problemas com a comparação com a vida de outrem. Nesse contexto, com o surgimento das redes sociais, e sem o desenvolvimento de hábitos de autoconhecimento em meio aos internautas, essa comparação tornou-se um grave entrave social. Um exemplo disso é o aplicativo “Instagram”, o qual é, basicamente, um emaranhado de galerias de fotos dos usuários. Dessa feita, devido a falta do autoconhecimento, surge uma comparação injusta por parte do usuário, em que ele compara a sua situação atual por completo com um breve instante utópico da vida de outro, exposto através de uma foto no seu aplicativo. Então, urge o desenvolvimento da prática do autoconhecimento na sociedade.

Por fim, a falta do autoconhecimento na era digital acarreta em um consumo desnecessário e, além disso, problemas psíquicos devido à comparação injusta com a vida alheia. Logo, convém que a sociedade molde a sua liturgia ativa e conscientemente, de modo a reservar um tempo diário para o autocuidado, ao consumir conteúdos que incentivem a prática do autoconhecimento, como livros e vídeos de desenvolvimento pessoal, e ao botar em prática as atividades propostas, como meditar e manter um diário de aprendizados. Finalmente, haverá uma sociedade mais sadia, haja vista que, conhece a si mesma e é capaz de fazer suas próprias escolhas intrínsecas.