Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 13/01/2021

A filosofia socrática valorizava a razão e o indivíduo. Sob esse viez, o primeiro filósofo desse período, Sócrates, incentivava os jovens atenienses a almejarem o autoconhecimento para que, só então, fossem capazes de obter respostas acerca do mundo em que viviam. Entretanto, os hábitos da população brasileira têm divergido dos valores defendidos por Socrátes, pois, hodiernamente, a falta do autoconhecimento na era digital gera consequêncis negativas para a sociedade, tendo em vista que os indivíduos são facilmente manipulados pelas empresas que atuam no espaço cibernético e, além disso, são destituídos da capacidade de analisar os espaços no quais estão inseridos. Por isso, faz-se urgente a análise da problemática.

Convém ressaltar, primeiramente, que na ausência do autoconhecimento as ações dos individuos são facilmente influencidas por alguém ou algo que o analisou e conseguiu divisar suas fraquezas. Exemplificando, empresas como Facebook e Instagram são projetadas com base em algoritmos que direcionam propagandas de acordo com o interesse do usuário a fim de estimulá-lo a consumir os produtos exibidos. Nesse sentido, os usuários desfrutam de uma falsa liberdade de escolha nos meios digitais, sobretudo em redes sociais, pois acreditam que são dotados de discernimento para decidirem sobre suas práticas, quando na verdade, são controlados pela indústria digital.

Ademais, é valido destacar que esse mesmo tipo de indivíduo está sujeito à alienação. Pois, como salientou Sócrates, o verdadeiro conhecimento só se manifesta em pessoas que conhecem a si próprias, uma vez que o ser humano ao não conhecer as contradições de suas ideias não podem conceber verdades, mesmo que subjetivas. Sob essa ótica, o usuário que está em estado de menoridade intelectual - definida por Immanuel Kant como a incapcitade do sujeito pensar de modo autônomo- sujeita seu julgamento ao controle de terceiros e, portanto, não tem discernimento para raciocinar quanto ao tipo de informações no espaço digital ao qual são submetidos, o que culmina no alastramento de informações falsas, conhecidas como “fake news”, pela sociedade.

Por conseguinte, é mister que o Estado tome medidas para minimizar os efeitos da falta de autoconhecimento na era digital. Para tanto, o Ministério da Educação (MEC), por meio de uma reforma no currículo pedagógico, deve inserir na educação básica uma disciplina voltada exclusivamente para atualidades, que será ministrada por intermédio de debates entre alunos, mediada pelo professor e baseada no modelo socrático, com a finalidade de que os estudantes conheçam a si próprios e, consequentemente, as suas ideais, minimizando, assim, a alienação nas redes sociais. Somente assim, será possível formar jovens brasileiros iguais aos atenienses educados por Sócrates.